Nem todo pródigo foi embora de casa. Alguns ficaram, serviram, trabalharam, obedeceram e se tornaram especialistas em perceber quem não fez o mesmo. Foi exatamente aí que o irmão mais velho se perdeu. Quando o irmão voltou, tudo o que estava escondido apareceu: “Há tantos anos te sirvo…” Ele não estava apenas servindo, estava guardando recibos. Eu fiz. Eu fiquei. Eu obedeci. Eu merecia. E talvez seja por isso que tem gente que faz tanto e vive querendo desistir. Não é só cansaço. É frustração acumulada. Faz olhando quem não fez, chega conferindo quem faltou, ajuda esperando reciprocidade, carrega esperando reconhecimento e, quando ninguém corresponde, ameaça largar tudo. Só que fidelidade que depende do comportamento dos outros ainda precisa amadurecer. Talvez alguém que apareça menos tenha mais constância porque já resolveu dentro de si: “Eu não faço porque os outros fazem. Eu faço porque sei diante de Quem estou.” O irmão mais velho estava dentro da casa, mas não desfrutava da casa. Estava perto do pai, mas vivia como empregado. Fazia muito, mas tinha pouca paz. E existe algo ainda mais sério: às vezes usamos o fazer para não encarar o que precisa ser tratado dentro de nós. É mais fácil trabalhar até cansar do que permitir que Deus toque na comparação, na necessidade de reconhecimento, na mágoa e nessa vontade recorrente de fugir quando as pessoas nos decepcionam. Não adianta mudar de lugar toda vez que alguma coisa incomoda, porque aquilo que não for tratado vai junto. Talvez você não precise de uma nova igreja, novas pessoas, uma nova função ou mais reconhecimento. Talvez precise nascer de novo nessa área do coração. Porque você pode fazer muito para Deus e ainda impedir Deus de fazer aquilo que precisa dentro de você. O irmão mais novo precisou voltar para casa. O mais velho precisava voltar para o coração do Pai, mesmo sem nunca ter saído. Lucas 15:25-32
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