Tem gente que saiu do lugar, mas o lugar ainda não saiu dela. E a mente faz isso: quando o novo fica difícil, começa a romantizar o velho. Israel viveu isso. Bastou o deserto apertar para sentir saudade das panelas do Egito. A memória lembrou da comida e quase apagou a escravidão. Por isso, cuidado: nem tudo aquilo de que você sente falta merece novamente acesso à sua vida.
Quando Elias chamou Eliseu, ele matou os bois e queimou os instrumentos que usava para trabalhar. 1 Reis 19:19-21. Aquilo era sustento, rotina e também uma possibilidade de voltar. Eliseu entendeu que, se deixasse a carroça pronta, no primeiro dia difícil poderia desejar a antiga vida novamente.
E talvez esse seja o problema de muita gente. Quer viver o novo de Deus, mas continua deixando uma porta aberta para o velho. Ainda olha, procura, acompanha, compara, alimenta sentimentos e mantém por perto aquilo que deveria ter terminado. O corpo foi embora, mas a mente continua voltando.
Nos dias bons é fácil dizer: “Eu nunca mais volto.” O perigo são os dias de solidão, medo e frustração. É nesses momentos que aquilo que quase destruiu você começa a parecer confortável novamente. Por isso existem decisões que precisam ser protegidas de nós mesmos.
Talvez você não precise de outra confirmação de Deus. Precise identificar a sua carroça.
O que você ainda mantém disponível porque, no fundo, quer ter para onde voltar?
Eliseu não queimou porque odiava sua história. Queimou porque decidiu que o passado não governaria seu futuro.
Você não precisa odiar o que ficou para trás. Só precisa aceitar que terminou.
Tem chamado que só começa quando a última desculpa para voltar vira cinza.
1 Reis 19:19-21
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