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sábado, 22 de agosto de 2026

CRENTE

 O crente verdadeiro jamais apostata (parte 2)

“Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou da graça de Cristo para outro evangelho” (Gl 1.6).

No caso do crente, podemos dizer que há também uma modalidade de apostasia que pode alcançá-lo. Contudo, embora passe pelo mesmo processo, ele jamais se completará em sua vida, simplesmente porque se trata de um eleito de Deus, alguém que o Senhor jamais permitirá que se perca. Dessa forma, também o crente será exposto ao erro, ao engano do pecado. Tanto o mundanismo quanto a heresia poderão ser apresentados a ele como se fosse a expressão da verdade bíblica, mas o ciclo do engano jamais se completará definitivamente em sua vida. Por ser um verdadeiro convertido, a verdade de Deus está nele, o Espírito Santo de Deus, a expressão da pura verdade, habita o seu coração.

Assim, ainda que se deixe enganar pelo pecado, tanto o da heresia quanto o do mundanismo, jamais se perpetuará o engano, ou seja, nunca abraçará definitivamente o erro como se fosse verdade. Esse ciclo nunca se consumará em sua existência. Embora seja capaz de entrar pelo caminho do engano, começar a aceitar a heresia ou o mundanismo, devido ao fato de a verdade estar escrita nas tábuas de seu coração, por causa do Espírito fazer nele morada, logo perceberá seu erro. Não deverá ficar tempo prolongado no mundo. De novo, a verdade brilhará em seus olhos espirituais e perceberá que Cristo não está naquilo que acreditou ser o melhor, ser o certo.

É uma apostasia incompleta, cujo ciclo do engano não se consuma definitivamente. É apostasia temporária, nunca irreversível. Portanto, podemos equacionar a apostasia da seguinte forma:

fé temporária -> apostasia completa e definitiva;

fé verdadeira -> apostasia temporária parcial.

No entanto, reparemos em um ponto também muito importante quanto à apostasia. Identificamos que, de forma geral, a apostasia pode se manifestar tanto no abraçar o mundanismo, a vida em pecados escancarados, quanto na assimilação de heresias, doutrinas falsas e diabólicas que não correspondem aos ensinamentos de Cristo. É importante entender que apostasia não implica necessariamente o abandono da igreja, mas sim da verdade. Colocando isso de outra forma, aquele que apostata não abandona obrigatoriamente a comunhão dos irmãos. No caso de abraçar o mundanismo, isto é, quando aquele que se diz crente assume pecados escancarados, é comum que ele abandone a igreja, por perceber que seu modo de vida fere o comportamento geral adotado pela comunidade.

Há também aqueles que “modernizam” sua interpretação, acreditando que são outros tempos e que hoje, muito o que se dizia ser pecado de fato não é. Dessa forma, mesmo praticando coisas bárbaras e reprováveis, são capazes de permanecer na igreja vivendo a apostasia. Contudo, no caso dos que abraçam heresias, esses irremediavelmente continuam na igreja, lutando por impor seu entendimento falso, errado e enganoso. Por isso, percebam que o melhor para a igreja é que o apóstata não permaneça. Que ele vá para o mundo, onde parece ser o seu lugar. “Parece”, porque se for, de fato, um crente, logo perceberá seu erro e retornará para os braços da Pai eterno. O pior tipo de apostasia e o pior tipo de apóstata são, respectivamente, aquela que é produzida dentro da igreja e aquele que permanece na igreja. A permanência de ideias contrárias às Escrituras no seio da igreja e daqueles que as defendem sempre trará enorme prejuízo.

Reparemos como o engano está bem caracterizado em nosso verso. Os judaizantes não estavam apresentando “outras verdades”. Eles não estavam falando abertamente “contra o evangelho”. O diabo trabalha geralmente com meias-verdades. Ele sempre quer dar algum “ar” de autenticidade àquilo que diz. Chega, até mesmo, a usar a Bíblia, como aconteceu quando tentou nosso Senhor no deserto. O que os judaizantes apresentavam era “outro evangelho”, algo que soava como mais verdadeiro, um evangelho melhor do que aquele que Paulo anunciou. É o engano! Paulo mostra-se presentemente alarmado, consternado, assustado, com a facilidade e a rapidez com que as igrejas da Galácia foram enganadas, assumindo a apostasia. Tratando-se de igrejas recém-fundadas, eram crentes novos na fé, presas fáceis e mais susceptíveis aos desvios e enganos. No entanto, um eleito jamais se perderá!

Alguém poderia argumentar: “então, por que Paulo se apressa para corrigir o problema? Ninguém que não é eleito se perderá”. Sim, é verdade! Nenhum eleito se perderá! Entretanto, muitos atritos, pecados, alguns com sequelas irreversíveis, muito sofrimento, poderão ser evitados, impedindo que o verdadeiro crente entre pelo caminho da apostasia. De igual forma, a apostasia interfere e atrasa o avanço do reino. Deve ser tratada e erradicada. Uma igreja inteira pode apostatar. Hoje, temos o triste exemplo da PCUSA (Presbyterian Church of United States), que já foi a maior denominação presbiteriana dos Estados Unidos. Há várias denominações presbiterianas estadunidenses. A PCUSA nem mesmo pode ser chamada de igreja cristã. Admite a salvação por outros meios que não seja Jesus, aceitou a homossexualidade, ordena pastores gays e pastoras lésbicas. Como se dá a apostasia de uma denominação inteira? Quando as gerações que nascem vão abandonando e transformando a fé que receberam de seus pais. Temos, então, uma reação em cadeia. Uma geração que vai se distanciando da fé bíblica gera filhos ainda mais distantes, que gerarão filhos ainda mais afastadas, e assim até que pontos centrais do evangelho sejam completamente abandonados.

Há verdades centrais e verdades periféricas quanto ao ensinamento bíblico. Se você tem que apenas molhar ou afundar alguém da água para ser batizado, é periférico. Assim também quanto ao sistema de governo, se por presbíteros ou por assembleia. Porém, se a salvação é unicamente pela graça ou se pelas obras humanas, se Cristo é Deus-homem, se Deus é Trino, se a salvação ocorre exclusivamente através de Cristo, por exemplo, são pontos centrais, que se forem adulterados, faz com que aquilo que será pregado não seja mais evangelho.

É nítido o processo de secularização, que é também processo de apostasia, que assola a igreja atual. Basta lembrar de seus pais e avós crentes! Compare a devoção dos antigos crentes com a dos atuais. Veja se sua vida mostra a mesma dedicação, a mesma intensidade de fé. Olha para seus filhos! Note se eles seguem com o mesmo ímpeto essa fé verdadeira. Sabemos que a igreja que haverá no retorno de Jesus, aquela que existirá tranquilamente na sociedade dos homens, será completamente apóstata. A verdadeira igreja funcionará escondida e clandestina. Contudo, a inevitável paganização do mundo não diminui nossa responsabilidade com nossa própria vida, com nossa família, com nossa igreja. Sejamos fiéis! Há um único evangelho. Qualquer coisa diferente é apostasia. Tenha um abençoado dia na companhia de Jesus (Rev. Jair de Almeida Junior).

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