Onésimo carregava um passado que precisava ser enfrentado. Ele havia se afastado de Filemom e a carta de Paulo deixa claro que poderia existir algum prejuízo ou dívida entre eles. Só que, no meio dessa história, ele encontra Paulo. E Paulo estava preso. Foi justamente numa prisão que a vida de Onésimo começou a mudar. Paulo passa a chamá-lo de filho e diz que aquele que antes tinha sido inútil agora se tornara útil. Mas transformação de verdade não serve para esconder o passado. Serve para mudar a maneira como você volta para enfrentá-lo. Paulo poderia manter Onésimo perto dele, mas decide enviá-lo de volta. Só que ele não volta sozinho. Leva uma carta. Nela, Paulo escreve a Filemom: “Se te fez algum dano ou te deve alguma coisa, põe isso na minha conta.” Paulo não fingiu que não existia dívida, não apagou o erro, não chamou errado de certo. Ele apenas disse: se existe uma conta, coloque no meu nome. E isso confronta porque tem gente querendo o novo sem acertar o velho. Quer perdão sem reconhecer o dano, quer recomeço sem assumir responsabilidade, quer mudança sem voltar ao lugar onde algo ficou mal resolvido. Onésimo precisou voltar, mas não voltou sendo o mesmo homem que saiu. E Filemom também precisaria mudar, porque Paulo pede que ele não recebesse Onésimo apenas como servo, mas como irmão amado. Tem gente que precisa parar de fugir do passado, e tem gente que precisa parar de prender alguém para sempre ao passado que Deus já transformou. Talvez seja por isso que essa carta seja tão pequena e tão grande ao mesmo tempo. Um homem precisava voltar, outro precisava receber, e entre os dois havia alguém dizendo: se existe uma dívida, coloque na minha conta. É difícil ler isso sem lembrar do Evangelho. Nós também tínhamos uma dívida que não conseguiríamos pagar, e Cristo assumiu sobre si aquilo que era nosso.
Filemom 1:10-18
Nenhum comentário:
Postar um comentário