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domingo, 27 de setembro de 2026

CIDADE

 Eles perderam a cidade onde viviam, foram obrigados a sair de Roma e viram a vida mudar de uma hora para outra. Mas uma coisa eles não perderam: um ao outro. Áquila e Priscila chegaram a Corinto para recomeçar, trabalharam juntos fazendo tendas, abriram a casa para Paulo, seguiram servindo ao Senhor Jesus e, mais tarde, em Éfeso, receberam Apolo e lhe ensinaram com mais precisão o caminho de Deus. A Bíblia não registra promessas românticas entre eles, mas registra algo ainda mais bonito: quase sempre que um aparece, o outro está ali. Juntos no trabalho, juntos na fé, juntos na casa, juntos no serviço, juntos no risco. Paulo chegou a dizer que os dois haviam exposto a própria vida por ele. E isso me toca profundamente, porque existem amores que não precisam de grandes discursos para provar que são verdadeiros. Eles aparecem na permanência. Na fidelidade. Na mão que continua ali quando os planos mudam, quando a vida aperta, quando é preciso começar outra vez. Talvez esse seja o segredo de um casamento que atravessa os anos: não deixar que a dificuldade transforme parceiros em adversários. É lembrar que vocês estão do mesmo lado. É um sustentar quando o outro enfraquece, um orar quando o outro já não sabe o que dizer, um acreditar no amanhã quando o hoje parece pesado demais. Áquila e Priscila me fazem pensar que o amor mais bonito não é aquele que nunca enfrenta tempestades, mas aquele que atravessa muitas delas e continua reconhecendo a mesma mão. E no fim, talvez a declaração mais linda de um casamento não seja “eu nunca sofri ao seu lado”, mas “por tudo o que Deus nos permitiu viver, eu continuei ao seu lado”. Porque a Bíblia não precisou escrever “eles se amavam”. Bastou mostrar que, por onde a história de um passava, o outro continuava lá. 


“Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus.” Romanos 16:3. Mércia Dumont.

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