É tentador, mas já não pretendo correr atrás do comboio da fama, do sucesso ou da riqueza.
Faço as pazes com a discrição e procuro ser parceiro de gente despretensiosa.
Emudeço as vozes que me cobram empreendedorismo - entardeci para isso. Sinto preguiça quando ouço cobranças do tipo: “volte a ser a personagem inabalável que você projetava em público”.
Se por acaso me deparar com a sombra que projetam em mim desde o passado, direi que já não sou igual a ela. A vida me fez outro (eu também quis ser outro).
Sei, devo me desfantasiar das armaduras que ornam os falsos heróis. Para ouvir a minha própria intuição, calo os pensamentos intrusivos que criam falsas ilusões.
Se sou responsável pelos tormentos ridículos que me assediam, não os exorcizo e caso não consiga fugir da tormenta que outros provocaram, aviso: esses mares revoltosos me ensinaram a persistir.
Não raro, sou invadido por uma vontade irrefreável de prolongar meu viver.
Anseio por mais do que a vida tem para oferecer, pois me reconheço cidadão de um mundo transcendental.
Como fui predestinado para ser filho do inaudito, o previsível me enfada. Feito de desejos, sigo no limite do impossível.
Nasci com sede de uma vida terna - e eterna.
Próximo do sensível, e sempre encharcado pelo divino, pretendo jamais parar de cobiçar o Grande Mistério.
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