Depois de nos chamar a vestir misericórdia, bondade, humildade, mansidão, longanimidade e perdão, Paulo apresenta a virtude que deve cobrir todas as outras: o amor. Ele escreve: “acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.” (Cl 3:14).
Observe a expressão: “acima de tudo isto”. É como se Paulo dissesse que, depois de vestir todas essas roupas da nova vida em Cristo, ainda falta a peça que as cobre, une e dá sentido.
Sem amor, a misericórdia pode se tornar apenas emoção passageira. Sentimos compaixão por um momento, mas não caminhamos com quem sofre. Sem amor, a bondade pode se tornar apenas gentileza social, feita por educação, costume ou conveniência. Sem amor, a humildade pode se transformar em aparência de simplicidade, mas com o coração ainda cheio de si mesmo. Sem amor, a mansidão pode ser somente um temperamento calmo, sem verdadeira entrega ao Senhor. E sem amor, a longanimidade pode se tornar mera resiliência humana, suportando pessoas e situações, mas sem graça, sem oração e sem desejo de restauração.
O amor em Cristo amadurece todas essas virtudes, purifica nossas motivações e orienta nossas ações para o bem do outro.
Este amor não nasce simplesmente da simpatia humana, nem depende apenas da afinidade que temos com as pessoas. É o amor recebido de Cristo, formado em nós pelo Espírito Santo e praticado nos relacionamentos concretos da vida. É amor que perdoa, corrige com mansidão, suporta com paciência, cuida com misericórdia e busca a edificação do próximo.
Portanto, cubra tudo com amor. Antes de falar, pergunte: isto procede do amor? Antes de corrigir, pergunte: desejo restaurar ou apenas vencer? Antes de servir, pergunte: faço isto para a glória de Deus ou para ser visto?
Portanto, acima de tudo, revista-se de amor. Sem amor, as virtudes se enfraquecem. Com amor, elas florescem para a nossa paz e a glória de Cristo.
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