Paulo tinha bons olhos. Não porque fosse ingênuo, mas porque um coração limpo não vive procurando sujeira nos outros. Ele amava, confiava, investia, carregava pessoas no coração. E talvez por isso algumas descobertas tenham doído tanto. Porque uma coisa é ser ferido por quem nunca disse que te amava. Outra é descobrir segundas intenções em quem chamou você de irmão. Paulo conheceu falsos irmãos, abandono, inveja, ambição e gente que via oportunidade de ganho onde ele via propósito. Enquanto Paulo pensava em almas, outros pensavam em vantagens. Enquanto ele repartia o coração, outros faziam contas. Enquanto ele abria a porta, alguns só observavam o que poderiam levar. E talvez seja isso que você esteja vivendo hoje. Você se deu demais, confiou demais, acreditou demais. Defendeu pessoas que um dia descobriria que nunca foram aquilo que você pensava. Você não enxergou a maldade porque ela não existia em você. Não imaginou o interesse porque, para você, relacionamento nunca foi negócio. E quando a verdade apareceu, talvez o que mais doeu nem tenha sido o dinheiro. Foi perceber que você não conhecia aquela pessoa como imaginava. Foi olhar para trás e se perguntar quais abraços eram verdadeiros, quais palavras eram sinceras e em quais momentos você era amado ou apenas útil. Isso rasga a alma. Mas Paulo não permitiu que os falsos irmãos transformassem seu coração em um coração falso. Ele ficou mais atento, mas não perdeu a pureza. Então chore pelo que descobriu, mas não deseje ter sido pior. Não peça a Deus um coração duro. Peça discernimento e continue limpo. Porque, depois de tudo, talvez uma das maiores vitórias seja conseguir dizer: eles me feriram, mas não conseguiram me transformar neles.
“Em perigos entre falsos irmãos.” 2 Coríntios 11:26
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