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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

EFEITO


“depois de se multiplicarem os teus gados e os teus rebanhos, e se aumentar a tua prata e o teu ouro, e ser abundante tudo quanto tens, se eleve o teu coração, e te esqueças do Senhor, teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão” (Dt 8.13, 14).

É realmente trágico que mesmo as coisas dadas para o benefício do homem muitas vezes convertam-se em malefício. Isso evidencia o enorme poder destrutivo do pecado. Ele desfigura mesmo as coisas mais sublimes. O fato de o Senhor derramar suas misericórdias sobre seu povo muitas vezes é visto como comprovação da aprovação divina. Deveriam ser! Especialmente no contexto do Antigo Testamento, "misericórdia" traduz um termo que é específico do relacionamento pactual de Yahweh com seu povo. Denota o compromisso do Senhor em fazer bem à nação escolhida.

No entanto, a aliança estabelece também a parte do povo, de buscar cumprir, de todo coração, de toda alma, com todas as forças, os mandamentos de Deus. Não se trata de obediência meramente exterior, mas de assimilação e concordância, fazendo dos mandamentos os princípios que regem a existência.

As "misericórdias" estão neste ambiente, onde cada parte realiza aquilo que lhe compete. Não é uma aliança entre iguais, mas a de um superior para com um inferior. Para perceber isso, basta atentar para as "vantagens" de cada um no Pacto. O povo receberia um lugar bastante fértil para habitar, e o principal: a habitação de Deus com eles. Deus nada receberia, pois tudo já é dele.

Notemos, portanto, que se trata de um pacto de graça. Além disso, o cumprimento dos mandamentos por parte do povo, mesmo quando em "fidelidade", nunca seria perfeito. Quanto ao Senhor, sempre cumprirá perfeitamente sua responsabilidade. Faz parte da disposição pactual de Deus não retribuir o pecado, a infidelidade, imediatamente. O Senhor geralmente concede tempo para o arrependimento. 

Essa sua graça geralmente é percebida como aprovação. Ainda que tenha uma vida espiritual deficiente e negligente, mas não tenho qualquer problema maior, entendo isso como prova de que minha vida é plenamente aceitável ao Senhor. Reparemos como a correção se torna uma espécie de consequência inevitável! O tempo que nos dá o Senhor para refletir em nossos atos geralmente é usado por nós para consolidar ainda mais o pecado em nossa vida. Enquanto o Senhor age nos abençoando com coisas aprazíveis, geralmente não há arrependimento. Faz-se necessário que Deus "pese sua mão" para que entendamos o que temos feito de errado.

É exatamente contra isso que advertem as palavras do Senhor do texto epigrafado. A prosperidade dada por Deus, expressão de sua misericórdia, tende a afrouxar a fidelidade. Na verdade, foi também isto que levou os perfeitos seres espirituais e o próprio Adão à queda: a elevação do coração. São os problemas e as dificuldades que acentuam a dependência que têm os pecadores dos dadivosos atos de Deus. Quando vivem sem problemas tendem a sentir que não necessitam tanto do Senhor assim.

O poder do pecado para corromper as bençãos pode ser visto mesmo nas maiores graças e favores divinos. Ezequias, rei de Judá, ferido por doença mortal e incurável, recebe do Senhor mais quinze anos de vida. Essa expressiva graça torna-o soberbo, como se o fato de ter recebido do Senhor algo sobrenatural, que não é comum ser dispendo a outros, significasse que ele desfrutava de um relacionamento diferenciado com Yahweh, que lhe permitisse a imprudência e a falta de sabedoria.

Dessa forma, ao receber desconhecidos, mostrou tola e descuidadamente todas as riquezas do reino. Eram espiões babilônicos enviados exatamente para isso. Pelo que ele fez, o reino haveria de cair. Mesmo Paulo nos serve de exemplo. Tendo sido convidado por Deus para visitá-lo em sua morada celestial, viu coisas que olho algum jamais viu. Como resultado, o Senhor lhe colocou um espinho na carne. É reconhecido explicitamente pelo apóstolo: "para que eu não me ensoberbecesse"! Deus não trabalha com hipóteses! Sem aquilo, Paulo certamente se ensoberbeceria!

Pedimos ao Senhor bençãos, mas qual é a nossa intenção com elas: glorificar a Deus ou meramente realizar nossa vontade? Se for a glória do Senhor teremos menos possibilidade de ver o pecado corromper as bençãos de Deus. Contudo, se for a busca de nossa própria vontade, inevitavelmente transformaremos as bençãos em consolidação de uma vida de afastamento e negligência. Cuidemos para usufruir humildemente das bênçãos que o Senhor nos concede. Para longe de nós toda jactância! Que nossa vida seja marcada pela gratidão humilde e sincera daqueles que conhecem verdadeira e profundamente o Senhor. Tenha um agradecido e fiel dia na presença de Jesus 

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