Eu não me canso de olhar para essa história, porque ela revela um tipo de amor e permanência que quase ninguém está disposto a viver. Rizpa ficou ali quando já não havia aplausos, quando já não havia esperança de mudança, quando a morte já estava determinada. E é isso que torna tudo tão profundo, porque muitos, por muito menos, desistem, se afastam, vão embora e soltam aquilo que diziam amar. Mas ela não. Ela permaneceu. Ficou exposta à dor, ao tempo, ao abandono e ao silêncio, espantando as aves de dia e os animais à noite, como quem dizia com a própria vida que o amor verdadeiro não desaparece só porque tudo ficou difícil. Rizpa nos ensina que há dores que não podem mais ser revertidas, mas ainda podem ser honradas com permanência. E num tempo em que tanta gente vai embora quando o cenário muda, essa mulher ficou mesmo quando tudo já parecia encerrado. Por isso essa história corta tão fundo, porque ela não fala apenas de luto, fala de fidelidade, de amor que permanece e de uma dor que não fez uma mãe abandonar o seu lugar. 2 Samuel 21:10
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