Provérbios 21:20. “Tesouro desejável e azeite há na casa do sábio, mas o homem insensato o desperdiça.”
Para um israelita, o azeite não começava dentro de uma vasilha. Começava numa oliveira.
Muitos tinham oliveiras em seus próprios terrenos. Era preciso esperar o tempo certo. Aproximadamente entre setembro e novembro, as azeitonas eram colhidas. Depois vinha o esmagamento.
A azeitona precisava ser pressionada para liberar aquilo que estava escondido dentro dela.
O processo era trabalhoso. Exigia tempo, força e paciência.
Depois de todo esse processo, o azeite chegava à casa.
Por isso o sábio não olhava para aquela vasilha e enxergava apenas azeite. Ele enxergava uma história.
Enxergava a árvore. A espera. A colheita. O esmagamento. O trabalho. O tempo.
Ele sabia o valor de cada gota.
É exatamente por isso que Salomão chama o azeite de tesouro desejável.
O insensato desperdiça porque não compreende o valor daquilo que recebeu.
E aqui existe um princípio que atravessa as Escrituras.
A oliveira pode nos lembrar de Cristo. Daquele que foi ferido, esmagado e entregou de si aquilo que nós jamais poderíamos produzir.
O azeite, nessa leitura, nos aponta para aquilo que recebemos por meio dele. Sua presença. Sua graça. Sua ação em nós.
Então talvez o problema não seja a ausência de azeite.
Talvez seja a falta de percepção sobre o valor dele.
Nós desperdiçamos aquilo que não compreendemos.
Desperdiçamos tempo porque esquecemos que ele não volta.
Desperdiçamos relacionamentos porque nos acostumamos com pessoas que um dia pedimos a Deus.
Desperdiçamos oportunidades porque confundimos familiaridade com insignificância.
E até mesmo aquilo que Deus derrama sobre nós pode ser tratado como algo comum.
Mas o sábio sabe.
Cada gota tem uma história.
Cada gota custou alguma coisa.
Por isso ele guarda. Cuida. Administra.
A pergunta não é apenas quanto azeite existe na sua casa.
É se você ainda consegue perceber o valor dele.
Porque aquilo que se torna comum aos nossos olhos pode continuar sendo precioso diante de Deus.
Não desperdice o que Cristo produziu.
Não trate como banal aquilo que custou tão caro.
O sábio não desperdiça o azeite.
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