Permanecer verdadeiros
O que os outros vão dizer? Vivemos mais em função dos outros do que das convicções que construímos. Podemos ouvir o que dizem, mas não podemos esquecer a pessoa que somos. De fato, há um cansaço que não vem do trabalho, mas da tentativa permanente de caber no desejo alheio. A pessoa sorri quando queria silenciar, concorda quando precisava pensar, se molda para não decepcionar, mede palavras para preservar imagens que talvez nem sejam verdadeiras. Aos poucos, a vida vai sendo gasta em apresentações. Em vez de habitar a própria história, a alma passa a ensaiar papéis para ser aceita. E, quando não está tentando agradar, fica sofrendo pelo que os outros disseram, sugeriram, imaginaram ou cobraram. Assim, o coração vai ficando apertado por ansiedades que não nasceram nele. Deus nos criou para a comunhão, não para a representação. Existe uma diferença profunda entre amar as pessoas e viver prisioneiro da opinião delas. O amor aproxima sem roubar a liberdade. A necessidade de encantar, ao contrário, exige máscara, vigilância e medo. Quem vive apenas para agradar perde contato com a própria verdade. Deixa de perguntar o que sente, o que acredita, o que precisa, o que Deus está pedindo no silêncio da consciência. Há uma simplicidade bonita em aceitar que não seremos compreendidos por todos. Algumas pessoas não gostarão do nosso modo de ser, outras interpretarão mal nossas escolhas, outras desejarão que sejamos mais convenientes aos seus planos. Ainda assim, a vida pode seguir com paz quando o coração está reconciliado consigo. Não é preciso provocar, endurecer ou desprezar ninguém. Basta deixar de entregar a direção da alma a cada olhar que passa. A liberdade amadurece quando aprendemos a viver com respeito, mas sem servidão. Quando o centro volta ao lugar, as ansiedades emprestadas começam a perder força. O que realmente importa não é encantar todos, mas permanecer verdadeiro diante de Deus, da própria consciência e daqueles vínculos onde o amor não exige disfarces para permanecer.
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