Tem encontros que parecem resposta, mas são apenas duas dores se reconhecendo.
Paulo cita Himeneu e Alexandre porque os dois chegaram a um ponto perigoso: deixaram de guardar a fé e a boa consciência. E isso me chama atenção porque ninguém naufraga de uma hora para outra. Primeiro a pessoa começa a justificar o que antes a incomodava. Depois para de ouvir quem tenta corrigi-la. E, quando percebe, já encontrou alguém que pensa igual, sente igual e confirma exatamente aquilo que ela queria acreditar.
É aí que mora o perigo.
Nem toda pessoa que chega perto quando você está ferido veio para te curar. Algumas apenas dão voz àquilo que você deveria levar para Deus. Em vez de dizer: “volta, conserta, ora, perdoa, coloca a casa em ordem”, ela diz: “eu também penso assim”. E pronto. A ferida ganhou companhia.
Mas companhia não é cura.
Himeneu aparece depois sendo citado novamente porque aquilo que começou dentro dele já estava atingindo a fé de outros. Isso é sério. Tem coisa que começa como dor pessoal e termina virando influência sobre muita gente. O coração não tratado procura aliados. A mágoa não curada procura concordância. E quando duas pessoas feridas começam a alimentar uma à outra, elas podem chamar de propósito aquilo que nasceu apenas de uma ferida.
Por isso eu aprendi uma coisa: antes de olhar para quem está ao seu lado, olhe para onde essa pessoa está te levando.
Está te levando de volta para Deus? Para o altar? Para a sua família? Para a verdade? Para a boa consciência? Ou está alimentando aquilo que Deus já estava tentando arrancar de você?
Nem toda união vem do Senhor. Algumas só acontecem porque duas pessoas encontraram uma na outra a confirmação que queriam.
E quando Deus quer curar, Ele não alimenta a ferida. Ele toca nela.
“Conservando a fé e a boa consciência, rejeitando a qual alguns fizeram naufrágio na fé. Entre esses se contam Himeneu e Alexandre…”
1 Timóteo 1:19-20
Nenhum comentário:
Postar um comentário