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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

ACREDITAR

 Eu acredito em casamento com presença.


Acredito no boa-noite dito de perto, no abraço antes de dormir, no pé encostando no outro, no silêncio dividido, na conversa que só acontece quando a casa inteira se cala.


Para mim, dormir na mesma cama também é uma forma de vínculo.


Não porque um casal precise viver grudado ou porque toda noite será perfeita. Mas porque a intimidade é construída justamente nesses pequenos rituais que parecem simples e, com o tempo, viram pertencimento.


Talvez por isso eu sinta tanto a ausência do meu marido quando ele não está ao meu lado. Não é dependência. É memória afetiva, costume, vínculo, presença conhecida.


Eu respeito quem vive diferente. Mas eu ainda acredito que, dentro do casamento, nem todo incômodo precisa ser eliminado. Alguns precisam ser atravessados juntos.


Porque quando duas pessoas começam a proteger tanto o próprio conforto, podem acabar esquecendo de proteger o “nós”.


E eu ainda acredito nesse “nós”.


Agora me conta: você conseguiria dormir todos os dias em um quarto separado do seu marido ou da sua esposa? Pra você, isso preserva o casamento ou cria distância?



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