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terça-feira, 13 de outubro de 2026

PROFÉTICO

 Todo líder religioso tem o dever de se antecipar à história. 


No jargão da teologia, isso é “dever profético”. Profecia diagnostica os rumos que os eventos podem ou não tomar. Portanto, um pastor falha caso não advirta sobre o futuro.


Por lidar com diversidade, o líder religioso deve proibir a si mesmo de tentar influenciar os votos de sua comunidade; ele não pode usar de suas prerrogativas para tentar gerar “comportamento de manada”.


Sinto pesar meus ombros o imperativo profético: caso Bolsonaro vença o futuro será tenebroso. Se não me posso afirmar em quem votar, aceito como mandamento aconselhar em quem não votar.


Embora esteja distante comparar Bolsonaro a Hitler, é possível detectar comportamentos semelhantes, que normalizaram a ascensão do nazismo. 


O radicalismo não chegou de forma abrupta. Judeus ricos achavam um exagero os alarmes de antissemitismo. Jornais acalmavam os leitores: “Os discursos de violência não passam de bravata”. Filósofos (Heidegger), físicos e arquitetos afirmavam confiança no nazismo. Pastores e padres também carimbavam o nacionalismo.


Muita gente falou, protestou, foi torturada e assassinada por prever o desastre. Os protestantes Tillich, Bonhoeffer e Barth não se calaram (Barth chegou a pegar em armas e Bonhoeffer foi enforcado por participar de uma conspiração para assassinar Hitler). 


Entre os católicos não se pode esquecer do jesuíta Rupert Mayer, cujo sofrimento terminou em um campo de concentração em Sachsenhausen (ele foi beatificado pelo Papa João Paulo II).


Minhas razões em denunciar o bolsonarismo não são partidárias.


Antevejo uma ameaça à democracia e ao estado de direito.


Todavia, não o vejo protagonista de suas próprias aspirações. Eu o percebo fantoche de grupos internacionais da extrema-direita interessados em suspender o estado de direito e de meter o Brasil num fundamentalismo religioso. 


Como cristão não posso me calar. Me omitir seria negar tudo o que já falei e escrevi. A história e Deus são implacáveis com os covardes e não quero ser contado entre eles. 


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