Na dinâmica da existência humana e dos relacionamentos, convivemos com uma enorme variedade de expectativas sobre nós. Há expectativas geradas pela família, outras pelo trabalho, pela igreja, pelos amigos, pela sociedade e até por pessoas que mal nos conhecem. Bem sabemos que expectativas não satisfeitas podem gerar decepção, críticas, afastamentos e até conflitos.
O certo é que, por causa dessa diversidade de expectativas e das limitações humanas inerentes a cada um de nós, você nunca vai agradar a todos. E tentar fazer isso pode se tornar uma prisão.
A Palavra nos ensina: “Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1:10). O contexto é de defesa do verdadeiro evangelho diante daqueles que desejavam distorcê-lo. Paulo deixa claro que sua mensagem e sua vida não podiam ser moldadas pelo desejo de receber aprovação humana, pois sua referência era Deus.
Entenda que não é errado que as pessoas se agradem de você. Ao contrário, o cristão que vive segundo os valores do evangelho deve cultivar respeito, bondade, mansidão, honestidade e amor, atitudes que naturalmente promovem simpatia e bons relacionamentos. O ponto de Paulo é outro: para agradar a Deus, às vezes será necessário desagradar pessoas.
E aqui está uma verdade essencial: a bússola da sua vida não deve ser a aprovação dos outros nem a sua própria satisfação, mas a vontade de Deus. É Ele quem define valores, prioridades, limites e caminhos. Quando essa verdade governa o coração, você deixa de perguntar apenas “o que vão pensar de mim?” e passa a perguntar “o que agrada ao Senhor?”.
Por causa disso, algumas pessoas poderão se decepcionar com você quando escolher a fidelidade, a verdade ou a obediência, ou simplesmente estabelecer limites saudáveis de relacionamento e trabalho. E, em alguns momentos, você mesmo poderá não gostar do caminho que Deus está pedindo, porque obedecer também envolve renúncia, espera e decisões difíceis. Portanto, não tente agradar a todos. Isso será frustrante e poderá levá-lo a viver segundo prioridades erradas.
Não me entenda mal. A Palavra nos chama a servir uns aos outros, considerar as necessidades do próximo, agir com sensibilidade e procurar a paz. Tudo isso faz parte do amor cristão. O problema começa quando, para sermos aceitos ou valorizados, fazemos aquilo que sabemos que não devemos ou deixamos de fazer aquilo que Deus nos chamou a fazer.
Seja amoroso, respeitoso e sensível, mas não se torne refém de imposições alheias. Viva diante de Deus, pois, no final, a aprovação que realmente importa é a dele.
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