Eclesiastes 12:6
“Antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro.”
Salomão está velho quando escreve isso. O homem mais rico de Israel agora não fala sobre conquista. Não fala sobre palácios. Não fala sobre fama. Ele fala sobre fragilidade.
Isso é forte.
Porque durante anos ele bebeu em copos de ouro. Sentou em mesas cobertas de riqueza. Viu o luxo de perto. O ouro fazia parte da sua rotina. Mas no fim da vida, olhando para tudo aquilo, ele percebeu algo assustador. Até o ouro quebra.
E então ele pega a imagem de um copo precioso para representar o coração humano.
O coração é ouro. Valioso. Raro. Sensível.
Mas continua sendo frágil.
O texto é quase silencioso. Parece que Salomão está observando alguém envelhecer lentamente. O fio de prata se rompendo. O copo se despedaçando. A vida indo embora aos poucos.
É como se ele dissesse. O homem passa a vida inteira construindo coisas ao redor e esquece daquilo que está dentro do peito.
Tem gente protegendo patrimônio e abandonando o coração.
Tem gente fortalecendo agenda e enfraquecendo a alma.
Tem gente tão ocupada correndo atrás do futuro que não percebe que o fio está ficando fino.
E o mais impressionante é que Salomão não compara o coração com ferro. Nem com bronze. Nem com pedra.
Ele compara com um copo.
Porque o coração humano não foi criado para suportar tudo.
Existem palavras que racham pessoas.
Existem ambientes que quebram emoções.
Existem pesos que o peito não consegue carregar por muito tempo.
A grande tragédia da vida moderna é que as pessoas aprenderam a parecer fortes sem realmente serem fortes.
Sorriem cansadas.
Dormem ansiosas.
Vivem aceleradas.
E ignoram os sinais do próprio coração.
Salomão está dizendo. Aproveite enquanto o copo ainda está inteiro.
Abracem seus pais.
Respondam aquela mensagem.
Perdoem enquanto ainda existe voz.
Demonstrem amor enquanto ainda existe batimento.
Porque chega um dia em que o fio se rompe.
E quando o copo quebra, não existe riqueza que consiga colar a vida de volta.
A vida é breve.
O coração bate hoje.
Mas ninguém sabe quantas batidas ainda restam.
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