Jeremias 13.23. “Pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal?”
Este não é um texto sobre racismo, aparência ou inferioridade. É um texto sobre natureza. Jeremias utiliza duas imagens impossíveis de serem alteradas pela própria criatura. O etíope não muda a cor da sua pele por vontade própria. O leopardo não apaga as manchas da sua pelagem por esforço. Deus toma aquilo que é permanente na ordem natural para denunciar aquilo que havia se tornado permanente na vida espiritual de Judá.
O pecado deixou de ser um acidente. Tornou-se um hábito. A idolatria já não causava vergonha. A injustiça já não provocava arrependimento. A violência era comum. A mentira era conveniente. O povo havia aprendido a fazer o mal com tanta frequência que a prática do pecado parecia tão natural quanto a pele do etíope e as manchas do leopardo.
Este é o grande paradoxo da religião. Há pessoas que frequentam o templo, conhecem os cânticos, decoram versículos, mas continuam tentando vencer o pecado apenas com disciplina. Confundem comportamento com transformação. Trocam arrependimento por desempenho. Limpam as mãos, mas não o coração.
Jeremias destrói essa ilusão. O homem não consegue regenerar a si mesmo. Quem está morto em seus delitos não produz vida. Quem nasceu escravo do pecado não quebra suas correntes sozinho. A raiz do problema nunca foi a falta de informação. Foi a corrupção da natureza humana.
É por isso que a graça não é um complemento da salvação. Ela é a própria salvação. Cristo não veio apenas ensinar um caminho melhor. Veio criar um novo homem. Na cruz, Deus fez aquilo que nenhum ser humano conseguiria realizar por si mesmo. O pecado que dominava foi vencido. O coração de pedra pode tornar-se coração de carne. A velha natureza é confrontada pelo poder regenerador do Espírito Santo.
A maior evidência da graça não é alguém que decidiu mudar. É alguém que Deus mudou. Celebre isso. O que você é hoje não nasceu da sua força de vontade. Nasceu da intervenção daquele que faz novas todas as coisas.
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