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domingo, 26 de julho de 2026

VIVER

Sem fé eu não saberia viver. Tudo o que faço é com o ‘aval’ d’Ele. Porém, muitas vezes confundimos fé com a confirmação dos nossos desejos. Rezamos, esperamos, imaginamos um desfecho e, quando a vida não responde como queríamos, sentimos como se Deus tivesse se afastado. Mas a fé amadurecida vai além da expectativa atendida. Ela não depende apenas do resultado favorável, nem se sustenta somente quando tudo acontece conforme pedimos. A fé verdadeira permanece quando o caminho fica obscuro, quando a resposta demora, quando o silêncio parece maior do que a nossa compreensão. Confiar em Deus não é controlar a vontade divina com nossas urgências. É descansar, ainda que com o coração inquieto, na certeza de que Ele continua presente. Há pedidos que não se realizam como imaginamos, mas isso não significa ausência de cuidado. Às vezes, a graça vem como força para suportar, como serenidade para esperar, como lucidez para aceitar, como coragem para recomeçar. A fé não retira toda dor, mas impede que a dor tenha a palavra final sobre a alma. Ela sustenta por dentro, mesmo quando por fora nada parece resolvido. Domingo nos convida a esse olhar mais contemplativo, ainda que a vida siga com suas perguntas. A oração não serve apenas para mudar situações. Serve também para transformar o coração que atravessa cada situação. Quando a expectativa não se cumpre, a confiança pode revelar sua verdade mais profunda. Não é uma confiança ingênua, mas uma entrega serena, construída no diálogo silencioso com Deus. Aos poucos, entendemos que crer não é receber tudo, mas permanecer unidos Àquele que nos conhece por inteiro. E essa permanência já é milagre. Porque quando a alma continua confiando, mesmo sem entender, ela descobre uma paz que não nasce das respostas, mas da presença fiel de Deus no meio da caminhada.

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