FILIPENSES 4:2-3
Evódia e Síntique não eram mulheres irrelevantes.
Eram colaboradoras de Paulo. Mulheres que haviam lutado pelo Evangelho e trabalhado ao lado daqueles que anunciavam Cristo.
Filipos conhecia a força delas.
Mas agora conhecia também o conflito entre elas.
E isso torna o texto desconcertante.
Na Macedônia, as mulheres possuíam uma relevância social incomum para o mundo antigo. Participavam dos negócios, administravam recursos, exerciam influência e, em alguns casos, ocupavam posições de liderança.
Paulo não combateu essa relevância.
O problema não era uma mulher ocupar espaço.
O problema era a divisão ocupar o espaço que deveria pertencer ao Evangelho.
E existe outro detalhe interessante.
Evódia e Síntique eram nomes gregos.
Evódia significa “doce fragrância”.
Síntique significa “boa sorte”.
Nomes bonitos.
Mas nomes bonitos não garantem uma vida coerente com aquilo que representam.
Evódia carregava o nome de quem deveria exalar uma doce fragrância, mas sua relação com outra irmã estava produzindo um ambiente de conflito.
Síntique carregava o nome associado à boa sorte, mas naquele momento vivia uma relação que precisava ser restaurada.
É possível carregar um nome bonito e produzir um testemunho que contradiz o próprio nome.
Que paradoxo.
Uma deveria exalar fragrância.
A outra deveria carregar a ideia de prosperidade.
Mas ambas precisavam aprender novamente a viver “no Senhor”.
E Paulo não escolhe uma delas.
Não procura uma culpada.
Não alimenta a disputa.
Ele roga às duas.
“Que sintam o mesmo no Senhor.”
Isso é poderoso.
Nem todo conflito precisa de um vencedor. Alguns conflitos precisam de reconciliação.
E isso combina perfeitamente com a mensagem de Filipenses. Uma carta que confronta o ego, a vanglória e a busca por superioridade.
Paulo não queria saber quem venceria a discussão.
Queria saber se elas preservariam a unidade.
A igreja não precisa de mulheres menos relevantes.
Precisa de mulheres relevantes e maduras.
Mulheres que ocupem espaços, sirvam, liderem, ensinem e influenciem sem transformar influência em disputa.
O que a sua presença tem produzido? Fragrância ou conflito?
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