Em Deuteronômio 8, Moisés fala ao povo de Deus pouco antes de sua morte. Israel estava prestes a cruzar o Jordão e entrar na terra prometida pelo Senhor, chamada por Moisés de “boa terra”. Lemos: “Porque o Senhor, teu Deus, te faz entrar numa boa terra, terra de ribeiros de águas, de fontes, de mananciais profundos” (Dt 8:7).
Há aqui um contraste curioso. A boa terra não era uma terra sem desafios. Como sabemos, ela era habitada por diversos povos, alguns guerreiros e ferozes, e possuía cidades fortificadas, como Jericó, que logo apresentaria forte resistência à chegada do povo. Ainda assim, Deus a chama de boa terra.
Moisés descreve suas bênçãos: “terra de trigo e cevada, de vides, figueiras e romeiras; terra de oliveiras, de azeite e mel; terra em que comerás o pão sem escassez, e nada te faltará nela” (Dt 8:8-9). E conclui: “Comerás, e te fartarás, e louvarás o Senhor, teu Deus, pela boa terra que te deu” (Dt 8:10).
Qual era o propósito deste ensino? Creio que, primeiramente, gratidão. O povo deveria lembrar que foi o Senhor quem o conduziu até ali. A terra não era fruto apenas de conquista humana, mas dádiva da graça de Deus. Em segundo lugar, contentamento. Toda terra possui desafios, resistências e lutas. Não devemos ignorá-los, mas também não podemos permitir que eles escondam as boas dádivas do Senhor. Em terceiro lugar, ensino para o coração. Nosso coração é facilmente murmurador e inquieto. Por isso, precisa ser continuamente ensinado a reconhecer a bondade de Deus na terra que estamos.
Assim, pergunto a você: qual é a sua boa terra? Talvez seja a cidade onde você mora, a sua casa ou condomínio, o lugar de trabalho ou estudo, a igreja, a família, o ministério ou a estação da sua vida. Olhe para essa terra com olhos de fé e contentamento. Sim, há desafios. Não devemos ignora-los. Talvez haja muralhas, conflitos, cansaços e resistências. Mas também há graça, provisão, cuidado, beleza e oportunidades.
Portanto, olhe novamente para a terra onde Deus o colocou. Se você crê que foi o Senhor quem o conduziu até ali, aprenda a chamá-la de boa terra. Ensine o seu coração a reconhecer as dádivas do Senhor no lugar onde você vive, trabalha, serve e caminha. Não permita que as muralhas escondam os mananciais, que as lutas apaguem os frutos, nem que as dificuldades roubem a gratidão. Lance fora todo murmúrio, toda queixa desnecessária, toda comparação infantil e todo descontentamento que endurece a alma. Em vez disso, olhe com gratidão, caminhe com contentamento e louve ao Senhor pela boa terra que Ele lhe deu.
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