Tem uma cena na ceia que dói quando a gente para para enxergar de verdade. Judas não saiu daquela mesa apenas como traidor. Antes de sair, ele recebeu das mãos de Jesus um pedaço de pão. Jesus sabia o que Judas faria. Sabia para onde ele iria. Sabia o preço que colocariam sobre Sua vida. Sabia que em poucas horas aquele homem que estava diante dEle chegaria com um beijo para entregá-Lo. Mesmo assim, Jesus molhou o pão e colocou em suas mãos. Isso é forte demais. A mão que Judas entregaria foi a mesma que ainda o serviu. Jesus não jogou o pão no chão, não o expulsou da mesa, não o humilhou diante dos outros. Ele ainda o alcançou com um gesto de amor. E Judas recebeu o pão, mas não entregou o coração. Talvez essa seja uma das partes mais assustadoras dessa história. É possível estar perto de Jesus e ainda assim manter uma parte de nós longe dEle. Judas ouviu a Palavra, viu milagres, caminhou com Cristo, sentou à mesa, recebeu de Suas mãos e mesmo assim escolheu a noite. João diz que depois disso Judas saiu, e termina aquela cena com uma frase pequena: “E era noite.” Não era apenas a hora do dia. Judas estava saindo da presença da Luz carregando dentro de si uma decisão que o levaria para a escuridão. E eu fico pensando: quantas vezes Jesus ainda nos serve enquanto já sabe o que estamos escondendo? Quantas vezes Ele nos chama para perto enquanto o nosso coração está negociando coisas que não deveríamos negociar? O pão nas mãos de Judas prova que o amor de Jesus chegou até o último momento. Mas também prova que receber algo de Deus não significa ter se rendido a Deus. Judas saiu com o pão de Jesus e com a traição no coração. E isso deveria nos fazer olhar para dentro antes de olhar para ele. Porque o perigo nunca foi apenas estar longe da mesa. O perigo é estar tão perto da mesa e ainda assim não pertencer de verdade ao Senhor dela. “Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o pedaço de pão molhado. E, molhando o pedaço, deu-o a Judas Iscariotes, filho de Simão.” João 13:26
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