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sábado, 5 de julho de 2025

LADO

 

 

Os dias passam e acabamos cimentando um jeito de ser. É evidente que a flexibilidade faz parte da postura de quem deseja estar sintonizado com os novos tempos. Tentei resgatar um pouco do meu histórico, mas não consegui perceber quando iniciei o meu comprometimento com o lado bom de tudo e de todos. Posso afirmar que, em tudo, sempre opto pelo lado bom das coisas e dos fatos. Mais do que uma característica é realmente o meu jeito de ser. Ninguém me obrigou ser assim, a vida me oportunizou. Sempre agradeço por ser otimista e por acreditar em final feliz. Mas eu sei que nem tudo é simples. Muitas situações não oferecem apenas um caminho. As pessoas, as palavras, os encontros e até os silêncios costumam ter mais de uma face. E, mesmo assim, a decisão sobre qual lado contemplar ainda nos pertence. Há quem prefira ver a sombra, mesmo com o sol nascendo. Há quem se detenha no que machuca, mesmo havendo um afeto presente. Escolher o lado bom não é ingenuidade, é sabedoria de quem entendeu que o olhar tem poder. O lado bom não apaga o que dói, mas devolve leveza para continuar. Ele se manifesta na gratidão silenciosa por alguém que permaneceu, no riso que escapou num dia difícil, na lembrança que aquece ao invés de ferir. A vida não pede negação da realidade, mas um jeito mais amoroso de habitá-la. Focar no lado bom é encontrar refúgio sem fugir. É permitir que o bem fale mais alto, mesmo quando o ruído do mundo insiste em distrair. Há sempre um lado que ampara, uma parte que acalma, uma fresta por onde a luz entra. E às vezes, é exatamente esse foco que impede o coração de endurecer. Olhar para o lado bom não transforma a realidade, mas transforma a forma como caminhamos por ela. E isso já muda tudo.

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