Nem todo coração partido é por amor
Um coração partido não é privilégio dos amores que acabam.
Ele também se parte quando uma amizade se rompe, quando um olhar se desvia, quando alguém em quem confiávamos vira as costas.
Parte-se quando a família, que deveria acolher, fere.
Quando um emprego se perde, levando junto o sentido de pertencimento.
Quando a vida parece injusta e o mundo, indiferente.
Um coração partido é o preço que pagamos por sentir — por sermos humanos o bastante pra nos importar.
Ele se quebra em mil pedaços, mas é desses estilhaços que nasce a consciência de quem somos.
E o remédio?
Não está em fingir que não dói.
Está em permitir que doa, em respirar entre as rachaduras, em regar o próprio coração com gentileza.
O tempo ajuda, sim.
Mas o verdadeiro bálsamo vem do amor:
o amor que damos a nós mesmos, o amor que sobrevive às ausências, o amor que nos reconstrói quando o mundo nos tenta desmoronar.
Porque no fim, o coração partido não é o fim de nada.
É o começo de um coração mais forte, mais sábio — e mais verdadeiro.
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