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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

AMOR

 Nem todo coração partido é por amor 


Um coração partido não é privilégio dos amores que acabam.

Ele também se parte quando uma amizade se rompe, quando um olhar se desvia, quando alguém em quem confiávamos vira as costas.

Parte-se quando a família, que deveria acolher, fere.

Quando um emprego se perde, levando junto o sentido de pertencimento.

Quando a vida parece injusta e o mundo, indiferente.

Um coração partido é o preço que pagamos por sentir — por sermos humanos o bastante pra nos importar.

Ele se quebra em mil pedaços, mas é desses estilhaços que nasce a consciência de quem somos.

E o remédio?

Não está em fingir que não dói.

Está em permitir que doa, em respirar entre as rachaduras, em regar o próprio coração com gentileza.

O tempo ajuda, sim.

Mas o verdadeiro bálsamo vem do amor:

o amor que damos a nós mesmos, o amor que sobrevive às ausências, o amor que nos reconstrói quando o mundo nos tenta desmoronar.

Porque no fim, o coração partido não é o fim de nada.

É o começo de um coração mais forte, mais sábio — e mais verdadeiro.


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