O cotidiano é a minha escola. Tenho aprendido muito com os fatos e os desfechos de determinadas situações. Tenho consciência que o lugar que mais precisa ser qualificado é o cotidiano. Ao invés de querer que os dias passem e que logo chegue a sexta-feira, procuro transformar os diferentes sentimentos e pensamentos em fontes de serenidade e paz. Aceitar é uma tarefa exigente. Acontece que aceitar nem sempre é sinônimo de paz. Muitas vezes, o que chamamos de aceitação é apenas medo de desagradar, de perder, de ficar só. E, sem perceber, vamos permitindo que pequenas renúncias de nós mesmos se acumulem até que o espelho já não reconheça o próprio reflexo. A vida é feita de escolhas que revelam o quanto nos valorizamos. Aquilo que aceitamos sem questionar se torna medida do que acreditamos merecer. Por isso, é preciso aprender a distinguir entre humildade e submissão, entre tolerância e conformismo. Amar o outro nunca pode significar esquecer-se de si. Há limites que protegem, silêncios que adoecem, distâncias que libertam. Saber dizer não é também um gesto de amor, porque preserva a dignidade e abre espaço para o que é verdadeiro. Quando deixamos de aceitar o que nos fere, o que nos diminui, o que apaga nossa luz, damos um passo em direção à liberdade interior. A vida começa a se reorganizar ao redor dessa decisão. As relações se tornam mais sinceras, o trabalho mais leve, o coração mais inteiro. Nada floresce em solo que se acostuma com migalhas. A alma precisa de respeito para continuar crescendo. E essa consciência não nasce de orgulho, mas de gratidão: quem reconhece o próprio valor reconhece também o valor do outro e sabe que todo encontro verdadeiro se sustenta na reciprocidade. Definir o que merecemos é uma forma de oração silenciosa, uma conversa entre nós e o divino que habita dentro. Quando o coração se alinha com o que é justo e bom, tudo ao redor começa a mudar. O que não combina mais parte, e o que é verdadeiro permanece. E é nesse equilíbrio sereno que a vida floresce em plenitude.
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