Permanecer no hoje tem sido um desafio para todos. Com uma enorme velocidade somos tentados a estar no ontem ou no amanhã. Mas o nosso instante sagrado é o hoje. Me policio diariamente para ficar no hoje, com a bagagem do ontem e com a esperança do amanhã. Posso afirmar que é uma tarefa desafiado, mas que vale a pena. Acontece que a mente, tantas vezes, corre mais do que os próprios passos. Carregamos lembranças que já não podem ser mudadas, arrastamos culpas, revivemos dores. Ao mesmo tempo, nos projetamos em futuros incertos, alimentando medos e ansiedades que ainda nem existem. E, nesse movimento de ida e volta, o presente, que é o verdadeiro tempo da vida, passa despercebido. Estar atento é a arte de perceber o agora. É repousar no instante com inteireza, permitindo que cada detalhe revele sua riqueza. O presente é sempre mais profundo do que parece: no gesto simples de respirar, no sabor de um alimento, no olhar de alguém, na oração silenciosa, há uma imensidão de vida acontecendo. Quando a atenção repousa, o coração descansa. Porque não há peso maior do que tentar mudar o que já passou, nem fardo mais sufocante do que querer controlar o que ainda virá. O instante presente é refúgio e escola. É nele que podemos amar de verdade, servir com sinceridade, agradecer com plenitude. Estar atento não é indiferença ao passado ou ao futuro, mas a consciência de que eles só encontram sentido se forem integrados ao agora. O passado nos ensina, o futuro nos inspira, mas apenas o presente nos transforma. Essa atenção é também forma de oração, porque nos coloca diante de Deus tal como somos, sem máscaras, sem ilusões. O coração que repousa no agora encontra paz, mesmo quando os desafios ainda existem. Porque percebe que cada momento é único e não volta. A vida ganha profundidade quando paramos de correr atrás do que não podemos segurar e escolhemos estar inteiros no que já temos. E, nesse repouso atento, descobrimos que o presente é o maior presente.
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