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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

DOR

 Muitos sintomas que chegam ao consultório como insônia, irritabilidade, crises de ansiedade, desesperança, não nascem apenas de um “desequilíbrio interno”. Eles muitas vezes são respostas a uma vida sob ameaça constante: boletos acumulando, medo de perder o emprego, geladeira vazia, ausência de previsibilidade.

Quando as contas estão pagas e a comida está na mesa, parte da angústia diminui não porque “era frescura”, mas porque o cérebro finalmente sai do modo sobrevivência.
A escassez adoece.
Ela mantém o corpo em alerta, ativa cortisol, reduz horizonte de futuro e consome energia mental. Viver em insegurança prolongada é um fator de risco real para ansiedade, depressão e até sintomas cognitivos.
Mas o excesso também adoece.
O excesso de cobrança, de metas, de comparação, de produtividade, de estímulo, de expectativas irreais. A abundância sem sentido gera vazio. A performance constante gera exaustão. A vida sem pausa gera colapso.
Entre a falta e o excesso, a saúde mental encontra seu ponto de equilíbrio.
Nem todo sofrimento é “transtorno”.
Nem todo transtorno é apenas circunstância.
Somos biologia, história, vínculos e também realidade material!
Cuidar da saúde mental é também olhar para as condições de vida, internas e externas.
Porque não se trata apenas de tratar sintomas, mas de compreender o que os produz!
E, muitas vezes, o que adoece não é a pessoa.
É a forma como ela está sendo obrigada a viver!

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