Total de visualizações de página

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

GERAÇÕES

 


“Foi também congregada a seus pais toda aquela geração; e outra após eles se levantou, que não conhecia ao SENHOR, nem tampouco as obras que fizera a Israel” (Jz 2.10).


É verdade que o pecado não precisa de incentivo, mas é igualmente real que, em contextos mais favoráveis, ele se manifesta com muito maior intensidade. Alguém que tenha tendência a pecados em determinada área da vida terá menos facilidade de pecar em ambientes que não favoreçam tal prática e será como que incentivado em ocasiões que beneficiem externar tal maldade. Pensando na missão da igreja, de cada crente, de ser sal da terra e luz do mundo, notamos a importância de lutarmos para a manutenção de conceitos cristãos a fim de refrear a tendência para o mal, que é natural ao pecador. Uma evidência da derrocada dos valores cristãos na sociedade está exatamente na família. Conquanto todos os relacionamentos do lar sejam hoje questionados, especifiquemos a falta de honra e respeito pelos pais.


Até recentemente, coisa de três ou quatro décadas, ainda se via grande reverência para com os pais. Filhos falavam com orgulho deles, do exemplo e dedicação que sempre viram em sua vida. Hoje, estimulados também pelo fato de muitos pais não representarem mais modelos a ser seguidos, os filhos veem a revolta e rebelião do pecado em seu próprio coração se manifestar na forma de competição, uma disputa por poder com aqueles que os gerou e cuidou. Mesmo nas famílias cristãs, os filhos se veem estimulados a assumir precocemente autonomia como forma de se verem livres de interferências dos pais.


É assim que percebem conselhos e orientações. A presente geração tende a gerar filhos que querem suplantar seus genitores, subjugá-los, como forma de afirmação. No decorrer de nossa vida, todos somos testemunhas que há bons tempos e maus tempos: há tempos de paz e tempos de guerras, tempos de fartura e tempos de carestia, tempos de saúde e tempos de enfermidade, tempos de exuberância e tempos de decadência. Todavia, algumas vezes, as situações difíceis se abatem sobre uma geração devido à sua própria culpa.


O texto transcrito acima narra um dos episódios mais tristes registrados nas Escrituras. Depois de todos os milagres realizados por Deus na libertação do povo do Egito, na sua manutenção durante os quarenta anos no deserto e em todas as vitórias concedidas pelo Senhor dos Exércitos na conquista da Terra, uma nova geração se levantou, mas constituída de pessoas que não conheciam o Senhor.


Na verdade, a rigor, até aqui, temos três gerações envolvidas: aquela primeira, que saiu do Egito, que presenciou as pragas, a divisão do Mar Vermelho, e a doação das tábuas da Lei; a segunda, a que recebeu a repetição das leis (Deuteronômio), passou a pés enxutos o rio Jordão na época das cheias, e lutou na conquista da Terra. Depois da morte dessa geração, chegamos àquela indicada pelo texto, uma nova geração que não presenciou os grandes feitos do Senhor, tornando-se um povo que não conhecia a Deus.


A impressão que fica é que as novas gerações parecem ser inclinadas às novidades, enxergando na herança recebida do passado algo sempre obsoleto e ultrapassado. Quando isso acontece, trata-se de enorme arrogância e desconsideração para com aqueles que tanto realizaram, pessoas que deixaram inquestionável legado para as gerações futuras. Muitas vezes, esse preconceito para com o passado constitui-se em base e fundamento para o estabelecimento de uma “nova” realidade, como se fosse possível romper completamente com o passado e iniciar uma história completamente nova. É, na verdade, uma tentativa de escrever a própria história com total ineditismo, renunciando aos conceitos, critérios e valores que tradicionalmente foram aceitos como bons costumes.


Aquilo que tem acontecido em nossa sociedade, infelizmente, como parece ser a norma no relacionamento entre o mundo e a igreja, tem também atingido o povo de Deus. Grande parte da geração atual evangélica tenta recriar o evangelicalismo nacional. Apresenta-se como portadora, finalmente, da verdadeira religião e do genuíno evangelho, proclamadora de mistérios “revelados” apenas agora por Deus. Adoram a um deus divertido, cujos líderes parecem mais com arlequins, ou, em outros casos, com um apresentador de auditório. Entretanto, o contraste entre a geração atual e aquela que ainda mantém alguns representantes no mundo dos vivos, é, realmente, gritante.


Do ponto de vista da sociedade, os conceitos libertinos e imorais, o desrespeito para com Deus e as igrejas, a quase extinção da honestidade e da consideração em favor do próximo, tornariam o mundo inaceitável, louco e infernal para aqueles que viveram há trinta anos. Com o mesmo suposto direito que tem o paciente de desdenhar do médico que o operou, gloriando-se na sua saúde, assim a geração atual rejeita todo o modelo de vida que herdou, reputando-o, muitas vezes, como reprovável e desprezível.


De igual forma, tragicamente, nos arraiais evangélicos, não cessa o surgimento de inúmeras denominações, propondo novas igrejas e comunidades, cada uma garantindo que é portadora da melhor interpretação e entendimento bíblicos e da forma de culto mais abençoada. Por fim, para tornar o ambiente ainda mais propício para o surgimento e reedição de heresias, o crente atual não tem o hábito de se aprofundar no conhecimento de Deus, pelo estudo da Sua Palavra e pela leitura de bons livros evangélicos.


Diante de um quadro como esse, é necessário que sejamos filhos sábios e prudentes. Não desprezemos o cristianismo que recebemos de nossos pais e avós! Ao invés de dar continuidade à igreja que recebemos dos santos do passado, a presente geração age de forma a envergonhá-los. Um bom método para preservarmos a continuidade doutrinária, litúrgica e comportamental da igreja, é lermos livros doutrinários de autores do passado e biografias de notáveis irmãos que viveram intensamente a fidelidade. Deus não muda, muito menos sua igreja.


Honremos nossos pais, especialmente aqueles que são piedosos. Sigamos seu exemplo! Vejamos a preciosidade do evangelho puro e simples, destituído das modernidades e pós-modernidades. Se perdermos de vista a experiência que nossos pais tiveram com Deus, certamente, como fizeram a terceira geração de israelitas, procuraremos criar nossa própria religião e culto. Fujamos do culto centralizado no homem. Tenha um abençoado dia na presença do Senhor (Rev. Jair de Almeida Junior).

Nenhum comentário:

Postar um comentário