“Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no SENHOR renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Is 40.30-31).
Tenho aprendido que a velhice não envolve apenas a contagem crescente de velinhas no bolo, mas tem a ver também com um estado interior, uma visão sobre a estética “enrugada” da própria alma. É obvio que o desgaste físico é inegável, sendo impossível comparar o desempenho e a força do organismo de um jovem com o de um idoso. Contudo, há idosos que vivem excelentemente bem, mesmo carregando o pesado fardo imposto por muitos anos, ao passo que há jovens que vivem amargurados e depressivos, mostrando a força de velhos ainda no esplendor da idade, cheirando ainda talco de nenê. Qual é o motivo disso.
Certamente, temperamento e a incidência maior de problemas interferem diretamente na disposição interior de cada um. Porém, seriam tais coisas realmente determinantes para impor a velhice como estado de espírito? A idade avançada não significa depressão. Todavia, esta sempre estará de braço dado com a velhice da alma.
É curioso como refletimos no espírito algo que lhe é totalmente alheio. O espírito não se desgasta com o tempo, apenas o corpo. Como, pois, transferimos à alma algo que é peculiar apenas ao corpo? Essa velhice da alma é danosa e pecaminosa. Ela ocorre quando nos deixamos levar por um senso de obsolescência, como se já estivéssemos completamente ultrapassados e inúteis. Por incrível que pareça, como já disse, tal sentimento não afeta apenas aqueles que têm muita história para contar.
Alguém que hoje vive o que é chamado de “meia-idade” já é capaz de olhar para traz e reconhecer mudanças tão grotescas no mundo, ao comparar com aquele que conheceu, a ponto de lhe causar saudosismo e nostalgia. Essa é a velhice da alma. O sentimento de ter sido ultrapassado há muito domina seu coração. Essa tem sido a experiência de muitos de nós. Pensa-se no mundo em que cresceu e se tem a impressão que ele já faz parte de um passado distante, algo que só pode ser visto agora em livros de História ou documentários. Era o tempo no qual a macumba era claramente reconhecida como algo maligno; os pais se orgulhavam da virilidade de seus filhos e as mães educavam moças para serem mães dedicadas; a virgindade era apregoada como a pureza necessária e devida à união conjugal; valorizava-se a família como um bem supremo; na sociedade, havia honra e se prezava enormemente o cumprimento de uma palavra dada, sem a qual não se tinha hombridade; os filhos obedeciam seus pais, aprendendo a interpretar até olhares e gestos; nas igrejas havia culto solene, pregações profundas e poderosas de pastores bem preparados, e ênfase no ensino das Escrituras; crentes, não raro, andavam quilômetros para ir à igreja no domingo, não poupando esforços para alimentar sua fé.
Certamente, os problemas que vemos hoje também eram vistos naqueles dias, mas em escala muito menor. Não havia entusiasmo no erro. As pessoas, em geral, reconheciam quando estavam erradas, pois havia critério para todas as coisas. Devido à sociedade prezar pelas virtudes cristãs, os erros não eram aceitos nem estimulados, nem recebiam chancela social ou governamental como acontece atualmente.
A consequência de ser infectado por uma nostalgia profunda é se sentir como um alienígena, habitante de um mundo distante, se não no espaço, no tempo. Vive-se o estado fantasmagórico, como olhando para uma existência que é apenas miragem, projeções do passado.
Contudo, embora seja realidade inconteste que o mundo mudou radicalmente em seus valores e conceitos nas últimas décadas, não podemos viver de costas para o futuro, apenas olhando o passado. A nostalgia pode nos escravizar aos tempos antigos, roubando-nos as perspectivas e expectativas do presente e do futuro. Precisamos ser realistas, mas sem jamais desanimar! Que o mundo está em completa derrocada ética e moral, não é novidade. Precisamos lutar pelos valores cristãos para restabelecê-los em nossa época. É provável que não tenhamos sucesso, o que não deve nos roubar o empenho e a dedicação. É a nossa parte a fazer.
A completa corrupção da sociedade já foi profeticamente anunciada. As Escrituras já anteciparam que haveria tempos difíceis, que os homens não aceitariam a verdade, nos quais a própria igreja apostataria. O paganismo está renascendo e o que temos visto na sociedade é exatamente o seu reflexo. O que vale é o renovar de nossas forças, esperando sempre no Senhor. A força humana nada pode!
Porém, aquele que confia em Cristo trilhará perseverante todos os seus dias, não importando a idade que tenha. Calebe, aos oitenta e cinco anos estava disposto e animado para ir à guerra e tomar a terra que recebeu em herança do Senhor (Js 14.6ss). Mesmo os idosos devem buscar forças em Deus para frutificar (Sl 92.14). Nas Escrituras não existe aposentadoria. Se estamos vivos, há responsabilidades a serem cumpridas como cristãos, segundo as forças que o Senhor tem nos dado. Mesmo aqueles que, em nossos dias, já encerraram suas carreiras profissionais, têm a responsabilidade de continuar uma vida produtiva, realizando coisas para a glória de Deus. Nem a velhice física, nem aquela que é antecipada na alma pelo saudosismo exacerbado, devem impor ao crente o marasmo e a depressão.
Vivamos a plenitude da vida que o Senhor nos dá, respeitando as condições e limites de nosso próprio organismo. O jovem não deve agir como idoso, e o idoso não deve repetir os feitos do jovem. No entanto, todos devemos aproveitar ao máximo as capacidades e o tempo que recebemos para viver com o objetivo de glorificar a Deus com a nossa vida. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus
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