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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

SOLIDÁRIOS

 

Somos solidários, facilmente carregamos até os fardos dos outros. Sim, existe uma tentação silenciosa de carregar o mundo nas costas, de assumir dores que não nos pertencem, de acreditar que a felicidade do outro depende exclusivamente do nosso esforço. Esse movimento, muitas vezes alimentado por amor sincero, acaba se transformando em desgaste, frustração e perda de sentido. O ser humano não foi criado para ser reparo da história alheia, mas presença viva em sua própria trajetória. Cada pessoa traz um caminho único, com escolhas, aprendizados e responsabilidades que não podem ser substituídos. Quando se tenta consertar o outro, corre-se o risco de desrespeitar o tempo que não é nosso e de abandonar o próprio processo interior. Deus age de forma diferente. Ele acompanha, sustenta, oferece luz, mas não invade nem força transformações. Respeita a liberdade humana como lugar sagrado onde a vida acontece de verdade. Aprender esse limite é um gesto de maturidade espiritual e também de amor mais puro. Amar não é resolver, é estar; não é controlar, é respeitar; não é salvar, é caminhar junto quando o outro permite. Há relações que adoecem quando se confundem cuidado com responsabilidade excessiva. A alma se esgota tentando dar respostas que só o outro pode construir. Viver a própria vida não é egoísmo, é fidelidade ao dom recebido. É reconhecer que há um chamado pessoal que não pode ser adiado indefinidamente em nome das expectativas ou necessidades alheias. Quando se ocupa o próprio lugar, algo se reorganiza também ao redor. O coração ganha leveza, as relações se tornam mais honestas, a fé deixa de ser peso e passa a ser apoio. Cada um cresce quando assume o próprio caminho, com suas escolhas e consequências. A verdadeira ajuda não nasce da anulação de si, mas da presença íntegra, consciente de seus limites. Assim, a vida segue com mais verdade, sem a pretensão de consertar o mundo, mas com a coragem de viver aquilo que foi confiado a cada um. E nesse gesto simples e profundo, a alma encontra paz ao perceber que cumprir a própria vida já é uma contribuição suficiente e necessária para o bem maior. Quando damos conta da nossa existência estamos preparados para ajudar os outros. 

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