“A desinformação não trata apenas da falta de informação, mas da absorção de informações equivocadas, falaciosas ou ideológicas.” — Elias Moisés
Você já deve ter ouvido a expressão “brain rot” (“cérebro podre”). O termo descreve a deterioração mental provocada pelo consumo excessivo de conteúdos superficiais e rápidos nas redes sociais. Estudos apontam que o resultado é falta de foco, declínio cognitivo e diminuição do pensamento crítico.
Nos últimos tempos analisei títulos de sermões, textos usados como referência e conteúdos de mensagens nas igrejas, em várias denominações. A conclusão foi assustadora: existe uma indústria de pregadores e pregações dedicada a desinformar pessoas com conteúdos dos piores possíveis.
Percebi que muitas dessas mensagens têm dois objetivos: entreter e enganar.
O entretenimento costuma vir do Velho Testamento, com ênfase em vitória, domínio e sucesso — uma “teologia” que agrada o público, mas é vazia para a vida real.
O engano aparece na manipulação de textos, focada em moral e costumes, para criar padrões de comportamento controláveis e homogeneizar o pensamento.
O resultado não poderia ser outro: cérebros podres.
Como a maioria dos cristãos não lê as Escrituras — e quando lê, não sabe interpretar — sobra ao pregador entregar o “pão de cada dia” já pronto, com a ênfase que lhe convém. E mais: hoje o pregador não precisa ser íntegro ou capacitado; precisa “encantar as serpentes”. Precisa ser um showman.
Profetas e apóstolos tinham algo inegociável: conexão com a realidade do seu tempo.
Se a mensagem não me ensina a viver no meu tempo, diante dos desafios da sociedade em que vivo, que aplicação prática ela tem?
E então fica a pergunta:
a quem serve essa mensagem, se ela não serve para mim?
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