Existe uma expectativa extremamente exigente, de que precisamos estar motivados o tempo todo, sermos produtivos, focados e performando no máximo.
Do ponto de vista psiquiátrico, essa ideia não só é irreal, como também pode ser prejudicial à saúde mental.
O ser humano não funciona em linha reta.
Nós operamos em ciclos biológicos, emocionais e cognitivos.
Oscilar entre momentos de maior energia e períodos de cansaço não é falha, é fisiologia.
O cérebro precisa de pausas para consolidar informações, regular emoções e restaurar recursos atencionais.
Quando ignoramos isso, começamos a confundir exaustão com incapacidade.
Outro ponto importante é a associação equivocada entre valor pessoal e produtividade. Quando a identidade fica restrita ao desempenho, qualquer queda natural de rendimento pode ser vivida como fracasso.
Isso favorece quadros de ansiedade, burnout e até sintomas depressivos.
Além disso, a motivação não é um estado constante, ela é influenciada por diversos fatores como sono, alimentação, contexto emocional, sentido atribuído às tarefas e até condições clínicas.
Esperar constância absoluta é desconsiderar a complexidade do funcionamento psíquico.
Como psiquiatra, reforço que não se trata de fazer menos, mas de sustentar um ritmo possível.
Respeitar limites não é acomodação, é estratégia de longo prazo.
Regular-se é mais saudável do que se forçar.
Você não precisa estar no máximo o tempo todo para ter valor.
Às vezes, o mais produtivo que você pode fazer é simplesmente parar.
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