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sábado, 25 de abril de 2026

PONTO



Existe uma expectativa extremamente exigente, de que precisamos estar motivados o tempo todo, sermos produtivos, focados e performando no máximo. 

Do ponto de vista psiquiátrico, essa ideia não só é irreal, como também pode ser prejudicial à saúde mental.


O ser humano não funciona em linha reta. 

Nós operamos em ciclos biológicos, emocionais e cognitivos. 

Oscilar entre momentos de maior energia e períodos de cansaço não é falha, é fisiologia. 

O cérebro precisa de pausas para consolidar informações, regular emoções e restaurar recursos atencionais. 

Quando ignoramos isso, começamos a confundir exaustão com incapacidade.


Outro ponto importante é a associação equivocada entre valor pessoal e produtividade. Quando a identidade fica restrita ao desempenho, qualquer queda natural de rendimento pode ser vivida como fracasso. 

Isso favorece quadros de ansiedade, burnout e até sintomas depressivos.


Além disso, a motivação não é um estado constante, ela é influenciada por diversos fatores como sono, alimentação, contexto emocional, sentido atribuído às tarefas e até condições clínicas. 

Esperar constância absoluta é desconsiderar a complexidade do funcionamento psíquico.


Como psiquiatra, reforço que não se trata de fazer menos, mas de sustentar um ritmo possível. 

Respeitar limites não é acomodação, é estratégia de longo prazo. 

Regular-se é mais saudável do que se forçar.


Você não precisa estar no máximo o tempo todo para ter valor. 

Às vezes, o mais produtivo que você pode fazer é simplesmente parar.


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