Vale a pena voltar à história de Demas porque hoje muita gente está trocando o chamado pelo presente século. Não abandonam Deus de uma vez. Primeiro diminuem a entrega, depois começam a faltar, perdem o prazer na comunhão, deixam a oração para quando sobra tempo e passam a chamar afastamento de liberdade.
Demas conhecia a verdade, caminhou com Paulo e participou da obra. Mas outro amor cresceu dentro dele. Paulo resumiu tudo em uma frase dolorosa: “Demas me abandonou, tendo amado o presente século.”
Ele não abandonou apenas Paulo. Abandonou o lugar que ocupava na obra porque o mundo passou a falar mais alto dentro dele.
E esse é o perigo. Quando o mundo cresce no coração, o chamado começa a parecer pesado, a igreja vira obrigação, a renúncia parece exagero e a obediência passa a ser chamada de prisão.
Então surgem as desculpas: “Eu trabalho muito.” “Deus conhece meu coração.” “Não preciso estar sempre na igreja.” “Estou na graça.” “Sou livre.”
Mas liberdade em Cristo nunca foi liberdade para abandonar Cristo.
A graça não nos livra da fidelidade. Ela nos livra do pecado para permanecermos fiéis. Quando alguém usa a graça para justificar uma vida sem compromisso, não está vivendo liberdade. Está apenas protegendo aquilo que não quer entregar.
Demas escolheu o presente século. Hoje muitos fazem o mesmo com outros nomes. Trocam o chamado pela carreira, a presença de Deus pelo conforto, a comunhão pelo cansaço e a obediência pela própria vontade.
A Bíblia não romantizou a escolha de Demas. Chamou pelo nome: ele amou o presente século e abandonou.
Essa história precisa ser lida com temor, porque existe gente que ainda está dentro da igreja, mas o coração já foi embora.
A pergunta é simples: o que hoje tem mais força no seu coração, o chamado ou o presente século?
“Porque Demas me abandonou, tendo amado o presente século.”
2 Timóteo 4:10
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