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terça-feira, 28 de julho de 2026

TAMUZ

 Ezequiel 8:14. 


Poucas cenas são tão estranhas quanto esta.

Ezequiel é levado à Casa do Senhor e, ali, encontra mulheres assentadas chorando a Tamuz.


Tamuz era uma divindade associada, nas antigas tradições do Oriente Próximo, aos ciclos da vegetação, da fertilidade, da morte e da renovação da natureza. A crença estava ligada à ideia de que, com a morte da divindade, a natureza também entrava em um ciclo de morte. Por isso, o lamento fazia parte desse culto.

Era um choro ritual. Um culto fúnebre.


Um ambiente marcado pela tristeza diante da morte de uma divindade que, segundo aquela tradição religiosa, precisava retornar para que a vida da natureza também fosse restaurada.


Agora observe a gravidade da cena.

Esse ambiente de lamento estava dentro da Casa do Senhor.

O lugar onde Israel deveria celebrar o Deus vivo havia sido contaminado por uma espiritualidade marcada pela morte.


A Casa do Senhor estava de pé.

Mas dentro dela havia um culto que chorava a morte.

Isso é muito mais profundo do que parece.


Porque existem ambientes que continuam de pé por fora, mas por dentro perderam a celebração da vida.

Há casas onde ninguém mais comemora nada. Famílias onde a conversa sempre termina em tragédia. Casamentos onde a alegria desapareceu.


Igrejas onde a atmosfera é tão pesada que parece existir um velório permanente.

Pessoas que se acostumaram tanto com a tristeza que já não sabem mais viver sem ela. Falam mais de morte do que de vida. Mais de tragédias do que de esperança. Mais de desgraças do que da bondade de Deus.


É como se a tristeza tivesse se tornado uma liturgia. É aqui que a figura de Tamuz nos confronta. Não porque todo sofrimento seja demoníaco.


Não porque quem chora esteja adorando Tamuz.

A Bíblia conhece o choro.

Jesus chorou. Davi chorou. Jeremias chorou.


O problema é quando a tristeza deixa de ser uma experiência que atravessamos e se transforma na atmosfera que decidimos cultivar.


Que o espírito de Tamuz, como imagem dessa cultura de tristeza e morte, não encontre espaço em nossas igrejas, em nossos casamentos e em nossas famílias.


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