Gálatas 2:11. Existem momentos na história da igreja em que a maior ameaça não vem de fora, mas nasce dentro. A carta aos Gálatas revela um dos maiores combates doutrinários do cristianismo primitivo. O judaísmo tentava acrescentar algo à obra perfeita de Cristo. A mensagem era perigosa. Cristo não seria suficiente. A graça precisaria da lei. A fé precisaria das tradições.
Era contra isso que Paulo lutava. E o mais impressionante é que Paulo não precisou enfrentar apenas falsos mestres desconhecidos. Ele precisou confrontar Cefas, chamado Pedro, uma das maiores colunas da igreja.
Pedro não era um homem comum. Ele esteve entre os primeiros chamados por Jesus. Caminhou com Cristo durante todo o ministério terreno. Foi usado por Deus para abrir a porta do evangelho aos judeus no Pentecostes, quando quase três mil pessoas foram alcançadas.
Mas anos depois, em Antioquia da Síria, Pedro precisou ser corrigido. E aqui está uma das maiores lições desse texto. Grandes homens de Deus continuam sendo homens.
Pedro sabia que em Cristo não existia separação entre judeus e gentios. Antes da chegada de alguns irmãos ligados a Tiago, ele comia normalmente com os gentios. Porém, quando sentiu a pressão da opinião dos judeus, começou a se afastar deles.
O problema não era uma refeição. O problema era a mensagem que aquela atitude comunicava.
Pedro estava transmitindo, mesmo sem dizer com palavras, que os gentios precisavam se aproximar da cultura judaica para serem plenamente aceitos por Deus. E isso feria o coração do evangelho.
Então Paulo resistiu face a face.
Paulo não atacou Pedro por inveja. Não era disputa de ministério. Era defesa da verdade.
Pedro já tinha sido corrigido por Cristo. Agora ele era corrigido por Paulo. E a mesma verdade que estava nos lábios de Jesus estava nos lábios do apóstolo, porque Paulo não falava por vaidade, falava pela autoridade do evangelho.
Vivemos um tempo em que muitos conseguem identificar erros, mas poucos têm coragem de confrontar. A igreja não cresce quando todos permanecem em silêncio. A igreja cresce quando existe humildade para corrigir e humildade para ouvir.
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