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segunda-feira, 27 de julho de 2026

HEROIS

 Vivemos em busca de heróis. Queremos nos proteger e caçamos pessoas que se postem como um parapeito. 


Queremos quem saiba demonstrar certo controle sobre este mundo louco - gente capaz de esmagar o mal sem que se transforme, ela própria, em má.


Por isso estamos dispostos a derramar o óleo da unção sobre qualquer um que se arvore especialista em divindade.


Valorizamos sobremaneira quem diz se antecipar ao que Deus ainda vai fazer. 


Daí a sensação de que existe uma chancela divina sobre uns poucos eleitos. Apostamos que exista um punhado de gente que consegue decifrar as senhas do milagre.


Massageamos assim a vaidade de evangelistas e canonizamos a opinião de carismáticos espetaculosos. 


Pior: esperamos intervenções sobrenaturais de charlatões.


Há de se andar na contramão, sem transferir para outros a relação com Deus.


No exercício da espiritualidade ninguém deve carecer dos que se aproveitam da miséria alheia para se tornar famosos.


Todos os que exercem qualquer tipo de poder só podem fazê-lo sob o imperativo do serviço. 


Os que se investem de heróis, ungidos e protagonistas da vontade de Deus arriscam capitular à vaidade, o pecado luciferiano de querer usurpar o que não lhe é devido.


Chega da religião de resultados.

Chega de ver Deus como máquina distribuidora de bençãos. 

Chega de intermediação venal para chegar ao amor. 

Chega de tanto sacrifício para se tornar íntimo de Deus.


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