Tem momentos em que a vida não precisa de muita gente, precisa apenas de alguém que olhe para você no seu pior dia e diga: “Eu não vou embora.” Davi vivia um desses dias. Não era o rei celebrando uma vitória, era um pai ferido, traído pelo próprio filho, deixando Jerusalém sem saber o que encontraria pela frente. E no meio daquela fuga estava Itai.
Davi lhe deu liberdade para partir. Itai era estrangeiro, havia chegado havia pouco tempo e não precisava carregar aquela guerra. Podia voltar, proteger sua família e seguir sua vida. Mas sua resposta revelou quem ele era: “No lugar em que estiver o rei, meu senhor, seja para morte seja para vida, aí estará também o teu servo.” 2 Samuel 15:21.
Itai não estava diante de um trono forte, estava diante de um homem fugindo dele. Não havia recompensa garantida, promessa de vitória ou qualquer vantagem em permanecer. Mesmo assim, ele ficou. E talvez seja exatamente aí que essa história comece a mexer conosco.
Porque é fácil dizer “conte comigo” enquanto estar perto de alguém também nos favorece. É fácil falar de fidelidade quando existe uma mesa cheia, uma oportunidade, uma porta que pode ser aberta ou alguma coisa para receber. A hombridade aparece quando tudo isso desaparece e, ainda assim, você continua sendo quem dizia ser.
Tem gente que ama o que você proporciona, mas chama isso de amor por você. Permanece enquanto recebe, honra enquanto precisa e se aproxima enquanto existe alguma vantagem. Quando a fase muda, muda junto.
Itai podia ter ido embora sem ser condenado por ninguém. Mas escolheu ficar justamente quando Davi tinha menos para oferecer.
E essa história deixa uma pergunta difícil: se amanhã alguém que sempre esteve por você não puder mais lhe oferecer nada, você continuará sendo para essa pessoa quem dizia ser?
Porque os verdadeiramente leais não são conhecidos quando a mesa está cheia. São conhecidos quando permanecer custa alguma coisa.
Itai podia ir embora. Mas escolheu ficar.
A lealdade aparece quando ficar não traz vantagem.
2 Samuel 15:19-22
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