E é por isso que algumas pessoas se incomodam tanto quando você começa a colocar limites.
Enquanto você aceitava tudo, estava tudo bem. Enquanto você corria atrás, explicava, perdoava sem mudança, resolvia problemas que nem eram seus e fazia de tudo para manter a relação, você era “bom”. Mas bastou começar a dizer “não” para aparecerem os rótulos: difícil, frio, ingrato, orgulhoso.
Talvez o problema nunca tenha sido o seu limite. Talvez fosse o acesso que a pessoa tinha a você.
Manipulação quase sempre precisa de uma brecha. E uma das maiores é o medo da rejeição. Quem tem pavor de ser abandonado aceita coisas que jamais aceitaria se soubesse o próprio valor. Tolera desrespeito, silencia diante do errado e chama de amor o que, muitas vezes, já virou dependência.
Saul viveu isso. Ele mesmo confessou: “Temi o povo e dei ouvidos à sua voz.” 1 Samuel 15:24. O medo de desagradar pessoas o levou a desobedecer a Deus.
Isso é sério.
Tem gente perdendo paz, convicção e até direção de Deus só para não perder alguém.
Jesus nunca viveu assim. Quando muitos decidiram ir embora, Ele não correu atrás tentando mudar a verdade para ser aceito. Perguntou aos doze: “Quereis vós também retirar-vos?” João 6:67.
Não era frieza. Era liberdade.
Amor verdadeiro não exige que você desapareça para que o outro permaneça. Quem só fica enquanto consegue mandar, pressionar, culpar ou controlar não está amando você. Está amando o poder que tinha sobre você.
Então talvez você não esteja perdendo pessoas.
Talvez esteja perdendo prisões.
E quando você deixa de ter medo de quem vai embora, muita gente perde a capacidade de controlar quem você é.
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