Jeremias 7:11. Jeremias profetiza em um dos momentos mais delicados da história de Judá. O povo havia transformado o templo em uma falsa garantia de segurança. Eles continuavam praticando injustiças, explorando pessoas, mentindo, adorando outros deuses e vivendo em desobediência, mas acreditavam que a presença do templo os protegeria das consequências.
Era como se dissessem. Podemos viver de qualquer maneira durante a semana, porque no templo estamos protegidos.
É nesse cenário que Deus coloca uma palavra extremamente pesada na boca de Jeremias. Ele pergunta se aquela casa, chamada pelo seu nome, havia se tornado um covil de salteadores.
A expressão é muito mais profunda do que simplesmente um lugar onde ladrões se reúnem. O covil era o esconderijo para onde o salteador corria depois de cometer seus crimes. Era o lugar onde ele se recolhia, escondia seus instrumentos, guardava aquilo que havia roubado e aguardava até que o perigo passasse.
Perceba a gravidade da denúncia. Deus não estava dizendo que o crime acontecia dentro do templo. Ele estava dizendo que o templo havia se tornado o lugar para onde criminosos religiosos corriam depois de viverem como criminosos.
Eles não queriam transformação. Queriam proteção.
Existem pessoas que não usam a religião para abandonar o pecado. Usam a religião para se esconder dele.
Passam a semana sendo desleais nos negócios, desonestos nos contratos, injustos dentro de casa, infiéis aos próprios compromissos e cruéis com pessoas que confiam nelas. Depois entram no templo, levantam as mãos, cantam, ofertam e acreditam que a aparência religiosa consegue apagar a realidade do caráter.
Mas Deus não chama isso de santidade. Deus chama de covil.
O problema nunca foi o homem pecador entrar na casa de Deus. O problema é transformar a casa de Deus em esconderijo para continuar sendo o mesmo homem.
O templo deveria conduzir ao arrependimento. Eles estavam usando o templo para evitar o arrependimento.
Deus não está procurando pessoas que saibam parecer santas. Está procurando pessoas que tenham coragem de permitir que a presença dele confronte aquilo que ninguém vê.
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