O tempo me ensinou a acreditar na força que cada qual carrega dentro de si. Um pouco de medo até faz bem, mas viver dominado pelo medo é não viver. Acontece que há uma diferença imensa entre sentir medo e viver dominado por ele. As tempestades chegam para todos, às vezes sem aviso, mudando planos, interrompendo certezas, revelando fragilidades que estavam escondidas sob a rotina. Quem se apoia apenas na própria força costuma se desesperar quando percebe que não controla o vento. Mas quem sabe de onde vem o sustento mais profundo aprende a respirar de outro modo. A fé não elimina as ondas, nem promete um caminho sem abalos. Ela recorda ao coração que existe uma presença maior do que a instabilidade do momento. Deus não nos entrega mapas completos de todas as travessias. Muitas vezes, oferece apenas luz suficiente para o passo possível, coragem para ajustar as velas e humildade para admitir que a direção precisa mudar. Essa sabedoria é preciosa. Há quem confunda firmeza com rigidez e acabe quebrando diante do primeiro vento contrário. A verdadeira força é mais flexível. Sabe ceder sem desistir, esperar sem paralisar, recomeçar sem perder a confiança. Ajustar as velas é reconhecer que a vida também nos educa pelas mudanças. Nem todo desvio é fracasso. Nem toda perda de controle é abandono. Às vezes, o vento que assusta está apenas conduzindo a alma para águas mais profundas. Quando a pessoa descobre que sua força não nasce somente do esforço, mas da graça que a sustenta por dentro, algo se serena. Ela continua enfrentando a chuva, mas já não se sente sozinha. Continua tendo perguntas, mas não entrega a esperança. A tempestade pode até modificar o percurso, porém não precisa destruir a confiança. Quem sabe em quem repousa a própria vida aprende que até o vento contrário pode servir ao crescimento, quando o coração permanece ancorado em Deus e atento ao movimento da providência.
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