Isaías não trata a idolatria como um simples erro religioso. Ele expõe a sua lógica.
O profeta descreve o trabalho de um artesão. O homem corta a árvore, mede a madeira, trabalha com ferramentas, dá forma ao objeto e finalmente produz uma imagem.
Até aqui, tudo parece apenas um processo de fabricação.
Mas então Isaías revela o absurdo.
Da mesma árvore, uma parte vira lenha. Com ela, o homem acende o fogo, assa o pão, prepara a carne e se aquece.
Depois olha para o pedaço que restou.
Com esse pedaço, fabrica um deus.
A ironia é devastadora.
A mesma madeira que ele queimou para se aquecer é agora aquela diante da qual ele se ajoelha para pedir livramento.
A mesma matéria que serviu para cozinhar sua comida agora recebe oração.
Isaías praticamente pergunta. Você não percebe a contradição?
O problema da idolatria não está apenas na imagem. Está na capacidade humana de atribuir poder divino àquilo que ele mesmo produziu.
E aqui o texto deixa de falar apenas sobre esculturas antigas.
Porque um ídolo não precisa necessariamente ser feito de madeira.
Ídolo é tudo aquilo que recebe de nós uma confiança que deveria pertencer somente a Deus.
Há pessoas que fabricam o próprio ídolo com dinheiro, carreira, relacionamento, influência, aparência, ministério e reconhecimento.
Trabalham para construir aquilo diante do qual depois se curvam.
E existe uma ironia ainda maior.
Aquilo que deveria ser ferramenta passa a ser senhor.
O dinheiro deveria servir ao homem. Quando o homem vive para o dinheiro, o instrumento virou ídolo.
O ministério deveria apontar para Deus. Quando alguém precisa do ministério para provar seu valor, o instrumento virou ídolo.
Relacionamentos são bênçãos. Mas quando alguém deposita em outra pessoa aquilo que somente Deus pode sustentar, a bênção ocupa o lugar do Abençoador.
A idolatria começa quando aquilo que deveria estar nas nossas mãos começa a ocupar o nosso coração.
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