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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

QUEIMAR


Isaías não trata a idolatria como um simples erro religioso. Ele expõe a sua lógica.


O profeta descreve o trabalho de um artesão. O homem corta a árvore, mede a madeira, trabalha com ferramentas, dá forma ao objeto e finalmente produz uma imagem.


Até aqui, tudo parece apenas um processo de fabricação.


Mas então Isaías revela o absurdo.


Da mesma árvore, uma parte vira lenha. Com ela, o homem acende o fogo, assa o pão, prepara a carne e se aquece.


Depois olha para o pedaço que restou.

Com esse pedaço, fabrica um deus.

A ironia é devastadora.


A mesma madeira que ele queimou para se aquecer é agora aquela diante da qual ele se ajoelha para pedir livramento.


A mesma matéria que serviu para cozinhar sua comida agora recebe oração.


Isaías praticamente pergunta. Você não percebe a contradição?


O problema da idolatria não está apenas na imagem. Está na capacidade humana de atribuir poder divino àquilo que ele mesmo produziu.


E aqui o texto deixa de falar apenas sobre esculturas antigas.

Porque um ídolo não precisa necessariamente ser feito de madeira.

Ídolo é tudo aquilo que recebe de nós uma confiança que deveria pertencer somente a Deus.


Há pessoas que fabricam o próprio ídolo com dinheiro, carreira, relacionamento, influência, aparência, ministério e reconhecimento.

Trabalham para construir aquilo diante do qual depois se curvam.


E existe uma ironia ainda maior.

Aquilo que deveria ser ferramenta passa a ser senhor.

O dinheiro deveria servir ao homem. Quando o homem vive para o dinheiro, o instrumento virou ídolo.


O ministério deveria apontar para Deus. Quando alguém precisa do ministério para provar seu valor, o instrumento virou ídolo.


Relacionamentos são bênçãos. Mas quando alguém deposita em outra pessoa aquilo que somente Deus pode sustentar, a bênção ocupa o lugar do Abençoador.

A idolatria começa quando aquilo que deveria estar nas nossas mãos começa a ocupar o nosso coração.


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