Ter os pés no chão, mas os olhos no céu
“Cantarei ao SENHOR enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus durante a minha vida” (Sl 104.33).
O homem caído é um cego. Nada pode ver da realidade do Deus verdadeiro. Há reminiscências de conhecimento divino nele, mas que não podem impulsioná-lo ao Criador. Tão-somente, o leva a projetar seus próprios deuses. Desligado do verdadeiro Deus desde a queda, assume as funções divinas para a sua própria vida. Assim, seu socorro, seu auxílio, resumem-se a si mesmo e aos deuses que seu coração projeta. Colocando isso de outra forma, abandonou a Deus e foi abandonado por ele. O Senhor entregou o homem às suas próprias maldades e pecados (Rm 1.24). Tendo perdido o acesso ao “andar de cima”, concentra sua vida apenas no “térreo”, aquilo que lhe é próprio. A tragédia da humanidade pode ser descrita como estar entregue a si mesma.
Dessa maneira, o homem tornou-se o padrão para todas as coisas: da verdade, da justiça, do certo e do errado. Cada vez mais desliga-se mesmo dos conhecimentos naturais aceitos de forma geral em toda humanidade. Quer ele mesmo estabelecer a forma que o homem deve ser e viver. Assim, presenciamos um tempo de uma humanidade ainda mais perdida, afastada de Deus, equivocada em caminhos erráticos. Protege-se o criminoso e esquece-se da vítima; afirma-se toda forma de hedonismo, solapando qualquer limite para o que se pode fazer. Até mesmo a biologia é desrespeitada, aquilo que é o próprio ser, simplesmente porque o indivíduo não quer! A vontade humana prevalece sobre o seu próprio ser, seu próprio corpo! Esquecendo-se do Criador e Salvador do homem, o ser humano radicou-se em uma existência própria, como se o pudesse. Não olha mais para cima, apenas para sua realidade terrenal.
Todavia, em Cristo somos habilitados a enxergar novamente o ambiente celestial. Aqueles que vivem para essa terra, experimentam apenas a realidade terrenal, defeituosa, maldita, de maldades, de pecados, de mortes e tristezas. Porém, os que conhecem o Salvador, olham mais para cima do que para seu próprio horizonte. Percebem realidades sublimes, magníficas, puras, imaculadas, de santidade contagiante. Almejam viver na luz puríssima de Deus, renegando este mundo e suas paixões. Não buscam as realizações e prazeres humanos, mas as alegrias celestiais de um coração lavado e alvejado no sangue de Cristo, assim limpo para a habitação do Santo Espírito de Deus.
Os que olham para cima são os que constantemente reconhecerão as grandezas do Senhor. Os olhos dos limpos de coração “veem” Deus especialmente na manifestação de sua glória na Criação, mas também nas obras de sua Providência, fazendo mover céus e terra para que sua vontade se cumpra na existência, dirigindo de forma paternal a vida de seus filhos. Olhar para esse plano no qual existimos é ver dor, morte, pecados e maldades, porém, olhar para cima é ver as coisas celestiais. Há muitos que confessam a fé em Cristo, mas vivem exageradamente apegados à esta terra. Olham demais para esta realidade. Por isso, focam apenas problemas e tristezas. Tudo aqui é passageiro.
Mesmo nós! O que nos aguarda é algo que: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram”, que “jamais penetrou em coração humano”; é “o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Co 2.9). Ao invés de chorarmos e lamentarmos as coisas dessa terra, fixando nossos olhos na realidade terrena, aprendamos a olhar para as coisas celestiais em Cristo e glorificaremos ao Senhor diuturnamente. Assumiremos o compromisso, diante de Deus e dos homens, de cantar louvores ao Senhor e ao seu Cristo enquanto vivermos, durante toda a nossa vida, como diz o salmista.
Certamente, não louvamos ao Senhor pelas tragédias e maldades de um mundo caído, mas pela visão da glória do porvir. É importante compreender que não significa maquiar a presente realidade, romanceando este mundo caído. Não se trata de mero pensamento positivo, como que se o mentalizar o que queremos provocasse sua inevitável materialização na existência. Nem mesmo é a ênfase em vontades terrenais. Não se trata de um bem-estar meramente humano, físico e terrenal. É a glória de uma alma redimida, mesmo enquanto o corpo continua caído. É a vivência do novo homem glorioso, a nova natureza implantada em nós pelo divino Espírito. Fingir que este mundo é bom, ainda que menos ruim do que é, não ajuda.
Temos que ter os pés no chão, na terra na qual nosso corpo será dissolvido um dia, mas os olhos no céu, onde nossa alma estará em glória aguardando a ressurreição. Nossa alegria não está no disfarce da presente realidade, mas na certeza das coisas celestiais. Olhemos para cima! Fixemos nossos olhos na glória que nos está preparada em Cristo! Antecipemos, pela certeza da fé, a alegria, a segurança e a confiança da plenitude que nos aguarda. Tenhamos o brilho da glória em nossos olhos! Esta é a alegria essencial a todo o que crê: o senso de glória eterna. Tenha um excelente dia na presença de Deus
Nenhum comentário:
Postar um comentário