Judas não chegou como inimigo declarado.
Ele não bateu à porta com ameaças, nem se apresentou com o rosto da maldade. Ele caminhou com Jesus, ouviu Seus sermões, presenciou milagres, sentou-se à mesa, recebeu pão das mesmas mãos que curavam enfermos e levantavam mortos.
Ele estava perto do altar, mas longe da rendição.
Tinha convivência com Cristo, mas não comunhão com Cristo.
Conhecia a voz do Mestre, mas não permitiu que essa voz governasse o seu coração.
Há uma dor particular na traição: ela não vem de quem está distante. Ela vem de quem conhece os caminhos da casa, sabe onde estão as feridas, conhece as confidências, compartilha da mesa e, ainda assim, escolhe vender a confiança.
Jesus sabia quem Judas era. Sabia que o beijo viria. Sabia que as moedas já tinham sido negociadas. Mesmo assim, não perdeu o controle, não deixou de amar, não abandonou o propósito. O beijo de Judas não interrompeu a cruz; apenas revelou que nenhum plano humano consegue frustrar a soberania de Deus.
Talvez você também tenha sido ferido por alguém íntimo. Talvez a dor tenha vindo de uma amizade, de uma família, de alguém que dizia caminhar ao seu lado. Mas não permita que a traição de alguém transforme seu coração em uma prisão de amargura.
Entregue a Deus aquilo que você não consegue explicar.
Não viva tentando devolver o mal na mesma medida.
O Senhor vê o que foi feito em secreto, conhece as intenções escondidas e julga com perfeita justiça.
Jesus foi traído por um beijo, mas venceu pela cruz.
E aquilo que parecia ser o fim da história tornou-se parte do caminho da redenção.
“Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar.”
Salmos 41:9
Que Deus lhe dê discernimento para reconhecer quem caminha com sinceridade, sabedoria para estabelecer limites e graça para não permitir que a maldade dos outros roube a pureza do seu coração.
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