O olhar da fé é aguçado, profundo e esperançoso. Um coração espiritualizado consegue olhar longe e realizar verdadeiras maravilhas. Já o medo tem a capacidade de estreitar o olhar. Quando ele cresce dentro de nós, até as coisas simples parecem distantes, as soluções possíveis ficam escondidas e o coração passa a imaginar apenas perdas. O medo fala alto, repete cenários, aumenta sombras e, sem perceber, começamos a viver antes da dor acontecer. Ele nos faz esquecer recursos que temos, pessoas que nos amam, experiências que já vencemos e a presença silenciosa de Deus que nunca deixou de nos acompanhar. A fé, por sua vez, não nega o medo. Ela apenas não permite que ele seja o único conselheiro da alma. Fé é abrir uma fresta de confiança quando tudo parece fechado. É lembrar que o óbvio pode estar encoberto pela ansiedade e que o impossível, nas mãos de Deus, não obedece aos limites da nossa imaginação. Há situações em que a resposta não aparece porque estamos olhando apenas a partir do susto. Quando respiramos, rezamos e devolvemos o coração ao seu centro, algo se clareia. Talvez o caminho não fique fácil, mas deixa de parecer absolutamente sem saída. Deus nos ajuda a enxergar com mais profundidade. Ele não elimina todos os riscos, mas acende coragem. Não responde todas as perguntas, mas sustenta o passo. O medo vê muros. A fé começa a perceber passagens. O medo nos prende ao que pode dar errado. A fé nos recorda que a graça também pode acontecer. E essa mudança de olhar transforma a maneira de caminhar. Quem confia não se torna invulnerável, mas encontra força para não paralisar. Aos poucos, a alma descobre que muitas portas estavam ali, apenas escondidas pelo excesso de temor. E quando a fé ilumina o olhar, até o impossível deixa de ser ameaça e passa a ser espaço onde Deus ainda pode surpreender. Que a fé seja como um facho de luz a iluminar o nosso caminho.
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