Às vezes, as exclamações da alma saem curtas; elas brotam como que “des-engasgando” o peito - desabafos que simplesmente escapam.
Tais suspiros se transformam em verbos e que acabam virando uma prece desconexa.
Às vezes, uma espécie de frio sobe por minhas costas no esforço de articular melhor e de me expressar com outras palavras, mas o suor da contemplação de pouco adianta. Só falo entrecortado.
Nessas vezes, an alma mal articula o que pensa o pensamento. Antes de nascer a ideia, na frente da razão, palavras em forma de bolhas sagradas emergem das regiões abissais do coração e essas bolhas carregam minhas preces inarticuláveis.
Todas as vezes, porém, Deus as escuta, pois ele é essencialmente verbo e não carece de uma sintaxe correta para perceber as súplicas do espírito.
Aprendi a orar aos suspiros para assim transmitir meus sentimentos graves, bem como os voláteis, através de lábios gaguejantes - certo de que estou sendo sempre acolhido.
So
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