Judas chegou com um beijo. Jesus respondeu chamando-o de amigo. E talvez isso revele mais sobre o nosso coração do que gostaríamos de admitir. É fácil manter o caráter quando somos amados. Difícil é continuar sendo quem Deus nos ensinou a ser quando alguém nos fere justamente no lugar onde confiamos. Judas não estava pensando em trair Jesus. Ele já tinha decidido, já havia negociado por trinta moedas de prata e já tinha combinado o sinal. Aquele beijo não era carinho. Era a senha da traição. E Jesus sabia de tudo. Mesmo assim, quando Judas se aproxima, Jesus diz: “Amigo, para que vieste?” Mateus 26:50. Jesus não estava aprovando Judas nem fingindo que nada havia acontecido. Ele estava nos ensinando algo que precisamos aprender: o pecado de Judas não conseguiu produzir pecado em Jesus. Agora vem o confronto. Tem gente dizendo: “Eu fiquei assim porque fizeram isso comigo.” Mas desde quando o erro de alguém recebeu autoridade para decidir o seu caráter? Te traíram? Isso revela quem a pessoa é. Mas aquilo que você se torna depois da traição revela o que a ferida está fazendo em você. Mentiram sobre você? Não minta de volta. Te expuseram? Não transforme exposição em arma. Te abandonaram? Não transforme abandono em amargura. Não entregue ao Judas da sua história o poder de mudar aquilo que Deus levou anos construindo dentro de você. E cuidado para não passar a vida pedindo: “Deus, trata quem me feriu”, enquanto Deus está querendo tratar aquilo que a ferida produziu dentro de você. Perdoar não significa devolver acesso. Amar não significa confiar novamente da mesma maneira. Ter domínio próprio não significa aceitar tudo. Jesus sabia exatamente quem Judas era, mas Judas não conseguiu fazer Jesus deixar de ser Jesus. A traição revela quem Judas é. A reação revela quem você está se tornando. No final daquela noite, Judas perdeu muita coisa. Jesus, mesmo ferido, não perdeu quem era. Então talvez a pergunta não seja apenas: “Quem te traiu?” A pergunta que realmente confronta é: “Depois do que fizeram com você, quanto de Jesus ainda conseguem enxergar em você?”
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