Não, não almejo emanar torrentes de luz.
Não desejo olhos que rivalizem o resplendor do sol ao meio-dia.
Me satisfaço em ser réstia de um lume singelo.
Não desejo aprender a me projetar com o brilho artificial dos holofotes.
Fico contente em deixar que um arco-íris, esboçado pelo dedo de Deus em minha alma, seja fonte de esperança nas pessoas que sequer conheço.
Anseio permitir que nesgas desse pequeno brilho alcancem quartos trancados e abandonados.
Desisto de ser tão intenso a ponto de cegar alguém.
Me contento em apenas aliviar um pouco noites absolutas que amedrontam pessoas.
Convivo com gente marcada pelo sofrimento, daí meu esforço por trazer réstias de alvoradas que moram em mim.
Rogo aos céus: - Faze com que minha pequena luz, mesmo intermitente, se mantenha leve como o pirilampo quando baila no sertão sem lua.
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