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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

AMOR

 O amor próprio é uma expressão serena de equilíbrio e de maturidade. Quem não se ama dificilmente amará de um jeito certo uma outra pessoa. Amar a si mesmo pode parecer simples, mas muitas vezes é uma das tarefas mais corajosas da vida. Há vozes, olhares e experiências que tentam nos convencer de que somos menos do que realmente somos. Algumas palavras diminuem, algumas relações desgastam, algumas comparações adoecem, e a alma, sem perceber, começa a duvidar do próprio valor. Por isso, escolher amar a si mesmo é um ato profundo de resistência. Não é vaidade, nem orgulho, nem fechamento ao outro. É reconhecer a dignidade que Deus colocou em nós antes de qualquer julgamento humano. Quem se ama com verdade não se coloca acima de ninguém, mas também não aceita viver abaixo da própria dignidade. Esse amor nasce quando voltamos a olhar para dentro com misericórdia. Vemos feridas, limites, erros e fragilidades, mas também enxergamos beleza, força, história e possibilidade. Deus não nos criou para sermos definidos pela dureza alheia. Ele nos chama pelo nome, não pelas acusações que recebemos. Amar-se é acolher esse chamado. É deixar de pedir permissão para existir com verdade. É cuidar do corpo cansado, proteger o coração de ambientes que o ferem, falar consigo mesmo com mais delicadeza e não entregar a própria identidade a quem não sabe amar. Esse cuidado devolve chão e coragem. Em um mundo que tantas vezes lucra com nossa insegurança, permanecer reconciliado consigo é gesto revolucionário. Não significa ignorar o que precisa mudar, mas transformar sem se odiar. A fé nos ajuda a lembrar que somos obra em processo, habitada pela graça. E quando a pessoa volta a acreditar em si, não por soberba, mas por consciência do amor de Deus, algo se levanta por dentro. A alma recupera sua voz, seu lugar e sua paz.

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