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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

AMOR


“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine” (1 Co 13.1).

Certamente, não há palavra mais forte do que o amor. Ele é verdadeiro poder que vence todas as coisas, até a morte. “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura, o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, são veementes labaredas” (Ct 8.6). A paixão travestida de amor é capaz de matar mesmo aquele que se afirma amar. O amor verdadeiro conduz à substituição, ao assumir o lugar do outro para enfrentar seus problemas.

É assim que vemos exemplos de pessoas que morreram por aqueles que amavam. Essa é a intensificação que vemos no novo mandamento dado por nosso Senhor Jesus Cristo: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo 13.34). É na obra vicária do Messias que percebemos o seu grande amor por nós. Ele não apenas nos comprou, mas o fez com seu sangue. Não foi à custa de grande riqueza, prata ou ouro. Ele não demonstrou que a vida dos eleitos é mais importante, simplesmente, do que as riquezas deste mundo. Ele deu sua própria vida! Ele nos substituiu na morte física e eterna, para que pudéssemos ter nele vida. Não há bem maior do que a própria vida. Por isso, não há prova maior de amor do que dar a própria vida.

O amor de Cristo é ainda mais destacado, quando lembramos que ele deu sua vida quando ainda éramos inimigos dele: “Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.7, 8). O chamado “Grande Mandamento”, em sua parte final: “amarás o próximo como a ti mesmo”, assim assume sua extrema extensão: colocar-se no lugar dele. Obra vicária quer dizer substitutiva. Jesus nos substituiu em nossa condenação para que pudéssemos receber vida em sua ressurreição. Ao assumir nosso lugar na morte, também, juntamente com ele, somos conduzidos por ele em sua ressurreição. Temos a nossa dívida de morte eterna paga na cruz e a vida glorificada quando saiu vivo do túmulo. Devemos considerar o amor como a essência de Deus: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (1 Jo 4.8). Deus é definido como amor e é no amor que nos identificamos com ele.

É provável que o motivo de o Senhor ser definido dessa forma é porque o amor descreve o relacionamento entre as Pessoas da Trindade. Operam na mais perfeita e profunda sintonia. Quando o apóstolo Paulo fala do amor em Primeira aos Coríntios treze, o faz como forma de indicar o caminho sobremodo excelente, especialmente diante das várias divisões e atritos observados na igreja de Corinto. Entendamos que, pelas próprias palavras escritas pelo apóstolo, o verdadeiro amor é aquele que tem conteúdo. Ele emprega linguagem hipotética e hiperbólica. A hipótese levantada é a possibilidade de falar a língua dos homens. A construção condicional utilizada na língua grega sugere grande probabilidade. De fato, Paulo falava a língua dos homens, pois é uma clara referência ao dom de línguas, que sabemos que ele falava (1 Co 14.18). Era a capacidade sobrenatural de falar idiomas da época. No entanto, quanto à língua dos anjos, trata-se de uma hipérbole, linguagem de exagero. Esta, certamente ele não falava, assim como não tinha dado o corpo para ser queimado, como argumenta na sequência.

Anjo é ser espiritual. Não tem garganta para emitir som e vive em um mundo espiritual onde não há ar para que o som se propague. Também não tem ouvido para ouvir e decodificar sons construídos dentro de significados específicos. Os anjos se comunicam de forma completamente diferente da dos homens, possivelmente perto daquilo que chamamos de telepatia, uma capacidade de trocar pensamentos. Dessa forma, Paulo mescla coisas grandiosas, mas possíveis, com coisas que não aconteceram ou não podem acontecer, a fim de destacar que, ainda que tal ocorresse ou fosse possível, sem amor, não haveria qualquer validade. O amor verdadeiro é visto em obras sinceras dentro dos limites do que é santo e justo. É agir como Deus age! É se identificar com ele em toda obra e procedimento. O amor se confunde com a própria existência, como uma integração a Deus em perfeita harmonia, como era no início e como será no fim, quando Deus será tudo em todos (1 Co 15.28).

Quando, então, chegar a plenitude de todas as coisas na volta de nosso Senhor, restará apenas o amor. A fé não será mais necessária, pois tudo o que se via por fé se materializou. A esperança também não terá qualquer função, pois todas as promessas estarão cumpridas. Apenas o amor, a perfeita vida em integração com Deus, será a experiência dos redimidos eternamente. Nossa bênção, muito mais do que responsabilidade, é vivermos o amor de Deus já nesta terra, praticando o bem sincero àqueles que nos rodeiam, cumprindo os mandamentos do Senhor. É pela prática, por atitudes sinceras e justas, que amamos ao Senhor: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14.21). Dessa forma, o Pai nos ama, bem como ao Filho; o Filho nos ama, bem como ao seu Pai; nós amamos ao Pai e ao Filho, vivendo no amor do Espírito. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus 

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