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terça-feira, 18 de agosto de 2026

DEUS


“Revesti-vos de toda armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo” (Ef 6.11).

Deus não apenas nos prepara, nos confere armas e suprimentos para a luta contra as trevas. Ele mesmo está conosco no campo de batalha! Revestir-se da armadura, nesse sentido, é revestir-se do próprio Deus. É nele que somos protegidos! É nele que temos a vitória. Por isso, esse revestimento é nossa responsabilidade e deve ser feito de uma vez por todas. É algo definitivo. Fala-se de um revestimento único e eterno. Ora, por que isso? É como se dissesse que, uma vez que vestimos a armadura, jamais poderá ser retirada. Os guerreiros só usavam a armadura no campo de combate. No acampamento, fora da zona de conflito, poderiam dormir sem ela. No entanto, a armadura do cristão só se veste uma única vez. É a indumentária definitiva do crente! Jamais poderá ser removida.

O motivo implícito é que não há momento quando não estaremos em guerra contra o reino das trevas. O crente vive a vida cristã sempre em combate. O descanso do crente é como estar em uma trincheira. Ali ele come; ali ele dorme; ali ele tem algum momento de lazer, quando os combates diminuem um pouco. Jamais tirará sua armadura! É preciso vesti-la definitivamente! No entanto, reparemos, é nossa responsabilidade! Cabe a nós buscarmos a Cristo para que ele nos fortaleça. É nossa responsabilidade vestirmos de uma vez por todas essa armadura. Reparem que isso se liga à própria conversão. Quando somos alcançados por Deus, ele nos dá tudo o que precisamos, na habitação de seu Santo Espírito. Tudo já nos foi fornecido. Cabe a nós usar.

Há crentes, geralmente pela arrogante superficialidade de fé, consequente de uma vida dedicada mais à matéria do que à alma, que não percebem que vivem entrincheirados. Acham que podem passear tranquilamente em pleno campo de batalha. Não ligam para o fato de que estão em uma guerra feroz, que não admite, nem mesmo, trégua. Certamente, serão duramente atingidos. Se realmente forem crentes, sobreviverão e voltarão ao campo de batalha. Todavia, se se tratar de pessoas com alguma modalidade de fé temporária, possivelmente jamais retornarão.

Reparemos, portanto, que o apóstolo tem a nítida ideia de um campo de batalha. Ele então afirma que é necessário nos revestirmos da armadura de Deus: “para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo”. Esse é o objetivo. Na língua grega, a ideia que temos é que a armadura é o que dá poder constante para resistir. Isso reforça a ideia de que estamos constantemente em batalha. Revestir-se de uma vez por todas da armadura, do próprio Deus, é o meio pelo qual temos constante poder. Constante poder, para quê? Para resistir completamente! Para não arredarmos o pé jamais! Para nunca retroceder em combate. É o que se entende pelo uso dos termos gregos traduzidos por “podereis ficar firmes”. É o poder contínuo para uma resistência total e absoluta.

Então, o apóstolo nos ensina algo que é de suma importância para todos nós, combatentes do reino de Deus. Ele diz: “para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo”. Quando olhamos para a língua grega, notamos que o termo traduzido no português como “cilada” é methodéia, de onde vem nossa palavra “método”. Paulo nos ensina que o diabo tem verdadeiros métodos para lidar conosco, suas estratégias para tentar nos manipular. No contexto do império romano, isso se destaca enormemente. As legiões romanas, especialmente seus generais, eram reconhecidos por suas estratégias de combate. Mesmo com contingente às vezes, menor que seu inimigo, conseguiam vitórias, pois seus ataques eram coordenados e planejados, valendo-se de estratégias de combate. Os bárbaros eram conhecidos por ataques ferozes, mas desordenados e descoordenados. Na história recente do judaísmo para Paulo, houve uma guerra dos judeus, que ficou conhecida como a Revolta dos Macabeus. Muito diferente dos selêucidas contra quem lutavam, que à semelhança dos romanos estavam acostumados a batalhas campais, os Macabeus desenvolveram táticas de guerrilha, ataques cirúrgicos, pontuais, contra alvos relevantes, e também na forma de emboscadas. Foi dessa forma que sujeitaram os exércitos de Antíoco Epifânio.

Qualquer que seja o tipo de combate, sempre há a necessidade de estratégia, método. C.S. Lewis muito bem captou essa ideia em sua obra “Cartas de um diabo a seu aprendiz”. De forma bem-humorada, indica várias estratégias do diabo, em sua luta contra o crente. Toda estratégia está baseada em conhecimento do inimigo. Portanto, o diabo, como ser astuto e inteligente, dedica-se a nos conhecer bem, percebendo os nossos pontos fracos e fortes. Até mesmo um ponto forte pode ser desvirtuado pelo orgulho, pelo excesso de confiança e de segurança. Ele sabe como lidar conosco, desenvolvendo verdadeiras estratégias, métodos, para nos surpreender, para nos colocar em situação de queda. Vejam, esse é o motivo! A necessidade da armadura de Deus está aí!

Não pense que ignorar a guerra vai fazer com que você não sofra as consequências. Nada há de mais terrível do que isso! Qual seria a consequência de um soldado que ignore a guerra em pleno campo de batalha? Esta é uma das estratégias do diabo: diminuir o senso da gravidade de nossa condição no mundo: “a coisa não é tão ruim assim! O mundo não é tão mau! Há ímpios tão agradáveis, pessoas tão boas! No final, Deus vai acabar salvando a todos. Você não tem necessidade de orar todos os dias. Pense! Comparece-se com seu irmão, aquele que você acha que não ora nunca. Você, pelo menos, orou uma vez esta semana. Você tem certa frequência à igreja e até assistiu um vídeo de quinze minutos de um estudo bíblico. Lembre-se também que você esteve pensando em Deus no tempo que ficou naquele engarrafamento ontem. Saiba: você está muito bem!” Esse é o diabo falando com você, te aconselhando sobre a desnecessária busca constante de Deus, sobre falta de necessidade de estar sempre vestido com a armadura. Não sejamos irresponsáveis! Querer viver no mundo, por conta própria, é suicídio de alma. Contudo, se nos vestirmos definitivamente da armadura de Deus é ter o Senhor em nós, lutando por nós e através de nós. Vivamos a bênção dessa segurança. Vivamos a vitória de Cristo. Tenha um excelente dia na presença de Jesus 

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